O acordo firmado entre os Estados Unidos e a Venezuela para exploração de petróleo venezuelano provocou reações da oposição ao governo de Delcy Rodríguez. O pacto prevê investimentos bilionários e permitirá aos norte-americanos acesso a cerca de 65 bilhões de barris de petróleo ao longo dos próximos 25 anos.
O entendimento foi anunciado na última semana e prevê investimentos privados estimados em US$ 100 bilhões no desenvolvimento de 17 campos petrolíferos. A produção será realizada por meio de uma associação empresarial, que terá direito a 55% do petróleo extraído.
Apesar de classificar o acordo como histórico, Delcy Rodríguez enfrenta críticas de opositores que questionam sua legitimidade para assumir compromissos de longo prazo em nome do país.
Segundo integrantes da oposição, o governo continua sob influência do chavismo mesmo após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas em janeiro deste ano. Entre os críticos está o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, que afirmou que integrantes do atual governo não possuem legitimidade para negociar as riquezas nacionais visando a permanência no poder.
Debate sobre permanência no cargo
Delcy Rodríguez assumiu a presidência de forma interina após a saída de Maduro, conforme previsão da Constituição venezuelana. Inicialmente, o mandato temporário seria de 90 dias, prazo posteriormente prorrogado pela Assembleia Nacional por mais 90 dias.
Entretanto, o período máximo de 180 dias expirou em julho sem a convocação de novas eleições, o que alimentou os questionamentos da oposição.
O governo venezuelano argumenta que o adiamento ocorreu devido aos impactos de dois terremotos que atingiram o país e deixaram milhares de mortos e desaparecidos. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou apoio à permanência temporária de Delcy no comando da Venezuela.
Detalhes do acordo
Pelos termos divulgados, a Venezuela continuará proprietária das reservas de petróleo, enquanto empresas ligadas aos Estados Unidos fornecerão investimentos e tecnologia para ampliar a produção.
O governo venezuelano estima receber cerca de US$ 19 por barril produzido e arrecadar mais de US$ 209 bilhões em receitas tributárias ao longo da execução do projeto.
Segundo Delcy Rodríguez, a parceria busca transformar as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo em crescimento econômico e recuperação para o país.
Além do acordo energético, governo e oposição iniciaram discussões sobre reformas institucionais e uma possível transição política, incluindo mudanças no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, com o objetivo de ampliar a participação civil na escolha dos magistrados.





