Abstenção no 2º turno pode prejudicar mais Lula do que Flávio Bolsonaro, aponta análise

A abstenção registrada no primeiro turno das eleições pode representar um desafio maior para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que para o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo segundo turno, marcado para 25 de outubro. A avaliação considera o perfil socioeconômico e etário dos eleitores que deixaram de comparecer às urnas e a tendência histórica de participação nas eleições brasileiras.

Segundo levantamento publicado pelo Metrópoles nesta quarta-feira (14), mais de 33,4 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Para analistas ouvidos pelo portal, uma parcela significativa desse contingente apresenta características semelhantes às dos grupos que historicamente demonstram maior apoio a Lula.

O cientista político Antônio Lavareda avalia que o presidente pode ser mais prejudicado caso esses eleitores voltem a faltar no segundo turno. Entre os grupos com maior tendência à abstenção estão pessoas de baixa renda e escolaridade, jovens e idosos com mais de 70 anos, faixa para a qual o voto é facultativo.

Pesquisas de intenção de voto do Datafolha citadas pelo Metrópoles indicam que, entre os eleitores que declararam apoio a Lula, 61% têm renda familiar de até dois salários mínimos e 60% estudaram até o ensino médio. O levantamento também aponta presença expressiva de jovens e pessoas com 60 anos ou mais nesse eleitorado.

Dificuldades para votar

Entre os fatores que podem contribuir para a ausência nas urnas estão dificuldades de deslocamento, distância dos locais de votação e limitações financeiras. Para eleitores que precisam conciliar trabalho, cuidados com os filhos e outras responsabilidades, o comparecimento pode representar um obstáculo adicional.

Lavareda também chama atenção para as dificuldades enfrentadas por mães solo e famílias que precisam organizar o deslocamento de crianças até os locais de votação. Mesmo com medidas como a gratuidade do transporte público em dias de eleição, esses obstáculos podem continuar influenciando a participação eleitoral.

Entre os jovens, a abstenção pode estar relacionada à descrença na política e ao desinteresse pelo processo eleitoral. Já entre pessoas com mais de 70 anos, o caráter facultativo do voto pode contribuir para a decisão de não comparecer.

Campanha de Lula tenta mobilizar eleitores

Diante desse cenário, a campanha de Lula tem intensificado os apelos para que os eleitores que faltaram no primeiro turno compareçam à votação decisiva. O presidente também passou a publicar vídeos em formato selfie nas redes sociais, buscando ampliar o contato direto com o público e estimular a participação.

A estratégia, porém, enfrenta um desafio histórico. Nas quatro eleições presidenciais realizadas entre 2010 e 2022, a abstenção aumentou no segundo turno em três ocasiões. A eleição de 2022 foi a exceção, com redução do índice de não comparecimento.

No primeiro turno deste ano, 125,3 milhões de eleitores compareceram às urnas, o equivalente a 78,92% do eleitorado apto, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com a disputa presidencial ainda em aberto, a capacidade de cada campanha de mobilizar seus eleitores e conquistar novos votos será um dos fatores importantes para o resultado de 25 de outubro.

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