Estiagem pode provocar prejuízo de R$ 87 milhões à pecuária do Acre, alerta Seagri

A possibilidade de uma estiagem severa provocada pelo fenômeno El Niño acendeu um alerta para a pecuária do Acre. Um levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) estima que as perdas econômicas no setor podem chegar a R$ 87 milhões caso a seca se intensifique nos próximos meses.

No Vale do Juruá, assim como nas demais regiões do estado, os produtores rurais podem enfrentar dificuldades com a redução das chuvas, temperaturas elevadas e comprometimento das pastagens e dos recursos hídricos.

O Painel El Niño 2026-2027 projeta a continuidade do fenômeno climático, com possibilidade de seca prolongada, redução dos níveis dos rios e ondas de calor, com temperaturas acima de 35°C.

De acordo com a Seagri, um dos principais riscos para a atividade pecuária é a diminuição da oferta e da qualidade das pastagens. Com o calor intenso e a recuperação mais lenta da vegetação, os animais podem ter menos alimento disponível, comprometendo o ganho de peso e aumentando o tempo necessário para atingir o ponto de abate.

A estiagem também pode afetar a reprodução do rebanho, com redução das taxas de prenhez e impactos na produção de bezerros das safras de 2027 e 2028.

Outro problema é a possível falta de água em propriedades rurais. Durante os períodos mais críticos da seca, açudes, tanques e igarapés podem apresentar redução nos níveis, principalmente em locais sem estrutura adequada de armazenamento.

O levantamento ainda aponta que a escassez de alimento pode levar pecuaristas a anteciparem a venda dos animais. Embora essa medida aumente temporariamente a oferta de gado no mercado, poderá reduzir o rebanho disponível nos anos seguintes.

Ações para reduzir os impactos

O Acre iniciou 2026 com um rebanho estimado em 5,18 milhões de cabeças. Entre janeiro e agosto, a saída de animais para outros estados chegou a 255,6 mil cabeças, crescimento de 3% em comparação com o mesmo período de 2025.

Para enfrentar os possíveis efeitos da estiagem, o governo estadual destaca a construção de mais de 4,2 mil açudes e tanques por meio do programa de mecanização agrícola, além do monitoramento climático realizado pelo programa Pecuária Mais Eficiente.

Segundo Marcos Sant’Ana, chefe da Divisão de Programas e da Divisão de Pesquisa Agropecuária da Seagri, o trabalho da secretaria envolve medidas preventivas e levantamento de informações para orientar os produtores.

A situação de países vizinhos, especialmente Bolívia e Peru, também está sendo acompanhada. Na Bolívia, a seca já provocou a morte de mais de 75 mil cabeças de gado e afetou aproximadamente 78 mil famílias, cenário que serve de alerta para municípios acreanos próximos à fronteira.

O levantamento da Seagri continua em andamento e busca antecipar possíveis prejuízos à produção e à comercialização agropecuária no estado.

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