Uma campanha de arrecadação de dinheiro que mobilizou moradores de Cruzeiro do Sul e de outras cidades do Vale do Juruá levantou suspeitas de golpe após a identificação de publicações praticamente idênticas em diferentes regiões do Brasil. As mensagens utilizavam a mesma fotografia e relatos de uma mulher que dizia enfrentar um câncer de mama e precisar de dinheiro para continuar o tratamento.
Nas publicações, a mulher era identificada como “Thayane Batista”, de 41 anos, e afirmava estar rifando os próprios eletrodomésticos para conseguir recursos para as sessões de quimioterapia. O apelo emocional ganhou repercussão nas redes sociais e levou moradores de diferentes localidades a compartilhar a campanha e realizar contribuições.
O principal alerta surgiu quando foi identificada a mesma fotografia, na qual aparece uma mulher sem cabelos abraçada a duas crianças, em campanhas divulgadas em diferentes cidades brasileiras. Apesar de utilizar a mesma imagem, as publicações apresentavam nomes e informações diferentes sobre a suposta beneficiária.
Em algumas versões, a mulher aparecia como “Izamara Batista”, supostamente moradora de Americana, no interior de São Paulo, e de municípios gaúchos, como Alegrete e Caçapava do Sul. Em outras, era identificada como Thayane Batista e apresentada como moradora de Cruzeiro do Sul ou de Vilhena, em Rondônia.
As mensagens também apresentavam mudanças na quantidade de filhos atribuídos à mulher e utilizavam diferentes chaves Pix, com números de telefone associados a DDDs de várias regiões do país. A repetição da fotografia e do relato em localidades distantes levantou suspeitas de que a história estaria sendo utilizada para arrecadar dinheiro de forma fraudulenta.
A campanha chegou a circular em páginas e veículos de comunicação de diferentes estados. Após identificarem as semelhanças entre as publicações, os perfis Conexão Mogiana e o portal Cidade Azul Notícias, de Rio Claro, em São Paulo, divulgaram alertas e suspenderam o compartilhamento do pedido. No Vale do Juruá, publicações que haviam divulgado a arrecadação também foram retiradas.
O caso acende um alerta para moradores que recebem pedidos de ajuda pelas redes sociais. Antes de realizar transferências ou compartilhar campanhas que envolvem doenças graves e situações de urgência, é importante verificar a identidade dos beneficiários, a origem das imagens e a autenticidade das informações apresentadas.
A solidariedade continua sendo fundamental, mas a cautela é necessária para impedir que histórias falsas e apelos emocionais sejam utilizados para enganar pessoas dispostas a ajudar.





