A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos abriu espaço para novas articulações entre lideranças da direita brasileira. Enquanto o parlamentar deixou o país após a derrota nas eleições presidenciais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) deram sinais públicos de que pretendem avançar nas discussões sobre o futuro do grupo político.
Na terça-feira (27), enquanto o paradeiro de Flávio ainda não havia sido confirmado, Tarcísio publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo ao senador pela participação na disputa eleitoral e defendendo a união da direita na oposição ao governo federal.
“A eleição passou, mas não passam estas imagens. O povo nas ruas, vestido de verde e amarelo, tomado por um sentimento de mudança. Foram 60 milhões de brasileiros e a cada um de vocês, obrigado”, declarou o governador.
Tarcísio também defendeu uma oposição vigilante, com atuação voltada à responsabilidade fiscal, à melhoria da qualidade de vida da população e à fiscalização do governo federal pelos próximos quatro anos.
No mesmo dia, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, divulgou uma reunião com Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo Distrito Federal. Segundo ele, a conversa tratou do futuro do partido e dos desafios políticos que estão por vir.
“Seguimos unidos, com diálogo, responsabilidade e compromisso com o Brasil”, escreveu Valdemar nas redes sociais.
Direita já discute os próximos passos
As movimentações ocorrem após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial e em meio a divergências dentro do campo conservador sobre quem deverá assumir a liderança da oposição.
Nos bastidores, segundo informações publicadas pelo Metrópoles, aliados demonstraram insatisfação com a decisão do senador de deixar o Brasil. A reclamação envolve o fato de ele ter afirmado anteriormente que permaneceria no país para organizar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Antes de Jair Bolsonaro indicar o filho para disputar a Presidência, setores do Centrão e do próprio PL defendiam uma possível chapa formada por Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro. A proposta não avançou naquele momento, mas a derrota eleitoral voltou a abrir espaço para discussões sobre a sucessão política e a disputa presidencial de 2030.
Viagem aos EUA ocorre em meio a investigação
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil teria sido organizada por um grupo restrito de aliados para evitar vazamentos. A viagem ocorreu após uma intimação relacionada à entrega de passaportes à Polícia Federal (PF).
Segundo a publicação, a medida está ligada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão envolvendo o senador e o empresário Willer Tomaz, em operações relacionadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento. O pedido de apreensão dos passaportes foi feito pela PF e atendido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O governo dos Estados Unidos também confirmou ao Metrópoles que concederia vistos ao senador e a familiares. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou ter aprovado a ida de Flávio ao país, mas declarou não saber





