Uma discussão entre uma servidora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e uma comerciante marcou a manhã desta sexta-feira (23) durante a Feira da Reforma Agrária, realizada em Cruzeiro do Sul. Responsável pela organização do espaço, a assistente de administração Maria Eunice de SA Melo apresentou sua versão sobre o desentendimento e explicou os critérios para a participação de vendedores no local.
Segundo a servidora, a feira faz parte do programa Terra Sol e funciona há mais de sete anos, com o objetivo de oferecer um espaço para a comercialização dos produtos dos beneficiários da reforma agrária.
De acordo com Maria Eunice, a situação desta sexta-feira começou quando o chefe da unidade do Incra informou que uma comerciante, que não faz parte do programa, estava vendendo produtos no local havia aproximadamente três semanas. A servidora, responsável pela feira, foi orientada a conversar com a mulher e esclarecer as regras de participação.
“Eu cheguei e perguntei quem era a pessoa que estava aqui e que não fazia parte da feira. Expliquei que esse espaço é exclusivo para os beneficiários da reforma agrária, porque faz parte do programa Terra Sol”, relatou.
Ainda conforme Maria Eunice, a comerciante questionou a orientação e a conversa ficou tensa. A servidora afirma que pediu mais de uma vez para que a mulher baixasse o tom de voz, alegando que estava falando com ela de maneira tranquila.
“Eu falei: ‘Baixa a voz, porque eu não estou gritando contigo’. Ela continuou falando alto e eu pedi novamente. Disse que, se continuasse daquela forma, teria que chamar a polícia”, contou.
A assistente de administração afirmou que também houve troca de palavras durante o desentendimento. Segundo ela, a comerciante questionou o porquê de a abordagem não ter sido feita em particular, enquanto a servidora argumentou que apenas estava explicando as regras da feira.
Maria Eunice disse ainda que informou à mulher que ela poderia permanecer no local nessa sexta-feira, mas que não deveria retornar na semana seguinte, uma vez que não fazia parte do público autorizado a comercializar produtos no espaço. Segundo a servidora, outras pessoas que estavam na feira presenciaram o momento em que a comerciante deixou o local fazendo gestos obscenos.
Durante o relato, Maria Eunice ressaltou que não é contrária à participação de outros comerciantes e produtores, mas explicou que a feira do Incra possui critérios específicos por estar vinculada a um programa destinado aos beneficiários da reforma agrária.
“Eu não tenho problema que ela venda os produtos dela. Ótimo! É preciso ter essa oferta. Inclusive, já conversei várias vezes sobre a possibilidade de abrirmos outros espaços para pessoas que plantam verduras e que não fazem parte da reforma agrária”, afirmou.
A servidora contou que já discutiu com representantes da Secretaria de Agricultura a possibilidade de organizar feiras em outros bairros, permitindo que mais produtores e comerciantes tenham oportunidades de vender seus produtos.
“Eu acho que o sol brilha para todos, mas, infelizmente, essa feira é do programa Terra Sol”, declarou.
Ela acrescentou que, em algumas ocasiões, permite a realização de atividades como brechós no local, desde que isso não comprometa a finalidade principal da feira.
Ao final, Maria Eunice afirmou que não teve a intenção de ofender a comerciante e pediu desculpas caso sua abordagem tenha sido interpretada dessa maneira.
“Se ela se sentiu ofendida, quero pedir perdão, porque em nenhum momento quis ofendê-la. Eu apenas expliquei que a feira é exclusiva dos beneficiários da reforma agrária. Estou tranquila, porque fiz o meu papel como servidora e como responsável por esse trabalho”, concluiu.





