Uma agricultora denunciou uma abordagem que considerou desrespeitosa durante a venda de produtos agrícolas em Cruzeiro do Sul, na manhã desta sexta-feira (23). Segundo ela, uma servidora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ordenou que deixasse o local por não possuir cadastro para comercializar os produtos.
A mulher, que se identificou como Francisca, relatou que há vários meses vende feijão, macaxeira, entre outros produtos, no espaço. De acordo com ela, a comercialização costuma terminar por volta das 6h da manhã, mas a chuva atrasou a saída do local.
“Hoje de manhã, quando chegou a dona M. E., ela já apontou o dedo na minha cara, dizendo que eu podia pegar minhas coisas e ir embora. Em nenhum momento chegou e me chamou para conversar, explicando que eu não poderia vender ali porque não era cadastrada”, relatou.
A agricultora afirma que tentou explicar que trabalha na agricultura, mas diz que a abordagem continuou em tom agressivo. Segundo ela, a servidora teria se referido a ela de maneira pejorativa e ameaçado chamar a polícia caso não deixasse o espaço.
“Ela não perguntou meu nome para me chamar pelo nome. Ficava me chamando de ‘bicha’. O desrespeito foi grande. Disse que, se eu não saísse de lá, ia chamar a polícia”, declarou.
Francisca afirmou que deixou o local e colocou os produtos no carro para procurar outro lugar onde pudesse comercializá-los. Ela também questionou a falta de oportunidade para regularizar sua situação e conseguir autorização para vender no espaço.
“Se eu não posso vender meu produto lá, ela poderia ter chegado e dito: ‘A senhora não pode vender aqui porque não tem cadastro’. Eu não teria ficado com raiva. O problema foi ela apontar o dedo para mim o tempo todo”, afirmou.
A agricultora disse ainda que pretende procurar o Ministério Público, registrar um boletim de ocorrência e buscar orientação jurídica. Ela afirma que outras pessoas presenciaram a discussão, mas que não conseguiu gravar o episódio porque o celular estava dentro do carro.
O marido da agricultora, Davi Oliveira, afirmou que acompanhou a situação e também se sentiu constrangido com a forma como a esposa teria sido abordada.
“Na verdade, eu me senti humilhado, porque ela não procurou conversar com educação. Já chegou falando de forma agressiva e expulsando a gente de lá. Em nenhum momento procurou conversar direito”, relatou.
Davi destacou que o casal vive da agricultura e esperava receber uma explicação sobre as regras para comercializar os produtos no espaço.
“A gente espera, pelo menos, que seja explicado, porque ela devia ter chegado e conversado direito: ‘Vocês não podem vender aqui porque não têm cadastro’. Mas ela já chegou na agressividade, não teve a educação de chamar minha mulher de lado e conversar direito com ela”, afirmou.
O casal questiona a forma como a situação foi conduzida e espera esclarecimentos sobre os critérios para a comercialização de produtos agrícolas no local.





