O Acre é o estado brasileiro com maior dependência de transferências de recursos de outros entes públicos para compor sua receita corrente. Segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2026, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), 68% da receita corrente do estado vêm de transferências, o maior percentual entre as 27 unidades da Federação.
Com esse resultado, o Acre ocupa a última posição nacional no indicador de Dependência Fiscal, que avalia a proporção dos recursos recebidos de outros entes em relação à receita corrente total de cada estado. Os dados utilizados no levantamento são do Tesouro Nacional, por meio do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), referentes a 2025.
O indicador faz parte do pilar de Solidez Fiscal do ranking. Nesse critério, quanto menor a participação das transferências na receita estadual, melhor a posição na classificação.
Acre supera Roraima e Amapá
O levantamento mostra que outros dois estados do Norte também estão entre os mais dependentes de transferências públicas. Roraima aparece na 26ª posição nacional, com 67,3% da receita corrente proveniente de repasses, enquanto o Amapá ocupa o 25º lugar, com 64,7%.
Entre os estados da região Norte, o Amazonas apresenta o menor índice de dependência fiscal, com 30,5%, ocupando a 12ª posição nacional.
Na sequência aparecem o Pará, com 40,5%, na 14ª colocação; Rondônia, com 43,5%, na 17ª; e Tocantins, com 51,6%, na 20ª posição. O Amapá, Roraima e Acre completam as últimas colocações da região.
Rio de Janeiro tem menor dependência
Na outra ponta do ranking está o Rio de Janeiro, que apresenta a menor proporção de transferências correntes em relação à receita corrente total, com 10%. O resultado garante ao estado a primeira posição no indicador.
São Paulo aparece em segundo lugar, com 12,7%, seguido pelo Distrito Federal, com 17,4%. O Rio Grande do Sul registra 18,7%, enquanto Minas Gerais apresenta 20,8%.
O que o resultado significa para o Acre
O percentual de 68% indica que a maior parte da receita corrente acreana depende de recursos transferidos por outros entes públicos, em vez de ser composta por receitas próprias do estado.
Esse cenário evidencia um desafio para a autonomia fiscal acreana, uma vez que a capacidade de financiar políticas públicas também está relacionada à arrecadação própria e à gestão das despesas. O indicador, isoladamente, porém, não determina a qualidade dos serviços públicos nem representa uma avaliação completa da situação financeira do estado.
Publicado pelo CLP desde 2011, o Ranking de Competitividade dos Estados reúne, na edição de 2026, 100 indicadores distribuídos em dez pilares para avaliar o desempenho das 27 unidades da Federação. O estudo conta com pesquisa técnica da Tendências Consultoria.





