A Justiça Federal se prepara para julgar cerca de 40 réus suspeitos de integrar um esquema internacional de extração, lavagem e comercialização ilegal de ouro da Amazônia. Segundo reportagem do jornal O Globo, as investigações apontam a movimentação de mais de R$ 10 bilhões e a circulação de aproximadamente 20 toneladas de ouro de origem clandestina.
As operações Sisaque, Ricezione e Emboabas identificaram indícios de exploração ilegal em terras indígenas Munduruku, Kayapó e Yanomami, além de unidades de conservação nos estados do Pará e de Roraima.
De acordo com as investigações, o esquema envolveria falsificação de notas fiscais e laudos, utilização de empresas de fachada e transporte do metal em aeronaves privadas. O objetivo seria inserir o ouro de origem ilegal no mercado internacional, dificultando o rastreamento de sua procedência.
Documentos citados pelo O Globo indicam que o minério teria chegado a mercados dos Estados Unidos, Itália, Suíça e Emirados Árabes Unidos, abastecendo refinarias, joalherias e outros setores da economia global.
O Ministério Público Federal cobra mais de R$ 10,6 bilhões em reparações relacionadas à usurpação de recursos minerais, aos danos ambientais, aos danos morais coletivos e aos impactos étnico-culturais sobre povos indígenas.
Os investigados respondem a acusações que incluem lavagem de dinheiro, organização criminosa transnacional e exploração mineral ilegal. As acusações ainda serão submetidas à análise da Justiça.
A reportagem também aponta mudanças nas rotas do contrabando após o endurecimento das regras de controle do ouro. Parte do transporte clandestino teria sido direcionada a Boa Vista e às fronteiras com a Venezuela e a Guiana.
Em nota, Brubeyk Garcia Nascimento negou participação em esquemas de lavagem de ouro e afirmou que comprava o metal de boa-fé, com perícia técnica credenciada pela Receita Federal. Segundo a reportagem, os demais réus e as empresas estrangeiras citadas não se manifestaram.





