China e EUA anunciam redução de tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos

China e Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (28) um novo passo para reduzir as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Os governos divulgaram listas de produtos que poderão receber tarifas menores, abrangendo cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias, sendo US$ 30 bilhões em produtos de cada país.

O anúncio é resultado das negociações realizadas no âmbito do Conselho de Comércio EUA-China, criado pelos governos de Donald Trump e Xi Jinping para discutir produtos considerados não sensíveis. As duas partes recomendaram condições tarifárias mais favoráveis, mas as reduções ainda dependem dos procedimentos previstos na legislação de cada país.

Entre os produtos americanos que poderão ser beneficiados estão milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios, óleos vegetais e farelos. A relação também contempla peixes e frutos do mar, madeira, cosméticos e equipamentos médicos. A soja em grão, porém, ficou fora da lista de produtos com possibilidade de redução tarifária.

Na direção contrária, produtos chineses incluídos na relação apresentada pelos Estados Unidos abrangem pequenos eletrodomésticos, louças, roupas de cama, brinquedos, flores artificiais, artigos de decoração de Natal e cadeirinhas infantis para automóveis.

Além das listas de produtos, Pequim e Washington concordaram em estender por dois meses a atual trégua comercial. Com a prorrogação, o prazo passa a valer até 10 de janeiro de 2027, permitindo que os dois governos continuem negociando questões econômicas e comerciais.

O Ministério do Comércio da China afirmou que a extensão deverá proporcionar um ambiente mais estável e previsível para empresas e para a continuidade das negociações. As equipes dos dois países também deverão manter reuniões sobre investimentos, barreiras comerciais e transparência das políticas econômicas.

O entendimento ocorre após a segunda reunião do ano entre Trump e Xi, realizada em Washington na semana passada. Nos últimos meses, a relação entre as duas potências foi marcada por disputas tarifárias e restrições comerciais e tecnológicas.

A agricultura será um dos focos das próximas conversas. China e Estados Unidos concordaram em criar um grupo de trabalho específico para discutir acesso aos mercados e regras para produtos agrícolas. A primeira reunião deverá ocorrer antes do fim deste ano.

A seleção dos produtos que poderão ter redução tarifária beneficia uma série de commodities americanas, enquanto a exclusão da soja chama atenção. O grão está entre os principais produtos agrícolas comercializados entre os dois países e possui peso significativo nas relações comerciais entre Washington e Pequim.

Também foi anunciado um acordo para que a China importe 10 milhões de toneladas de carvão dos Estados Unidos por ano em 2027 e 2028. Petróleo e gás natural liquefeito não aparecem entre os produtos contemplados pelas medidas anunciadas.

As negociações também avançaram em outras áreas. China e Estados Unidos concordaram em criar um canal de comunicação para tratar de incidentes relacionados à inteligência artificial. Uma nova rodada de diálogo sobre o tema está prevista até o fim de novembro.

Pequim também deverá analisar pedidos de instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital americano, interessadas em operar e abrir filiais na China.

Os dois países ainda pretendem manter conversas sobre a ampliação dos voos diretos entre seus territórios.

Apesar dos avanços anunciados, permanecem divergências em áreas estratégicas, principalmente tecnologia, inteligência artificial e acesso a mercados. O acordo divulgado nesta segunda-feira representa uma tentativa de administrar as disputas comerciais e criar condições mais previsíveis para empresas chinesas e americanas.

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