Hostels em Rio Branco transformam hospedagem em experiência de lazer, cultura e contato com a Amazônia

O que antes era conhecido apenas como uma alternativa econômica de hospedagem ganhou novos significados em Rio Branco. Na capital acreana, os hostels têm atraído não apenas turistas de diferentes partes do mundo, mas também moradores do próprio estado em busca de descanso, lazer, contato com a natureza e experiências culturais.

Localizados nos arredores da Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé São Francisco, no bairro Vila Ivonete, o Aquiri Hostel e o Hostel Povos da Floresta são exemplos desse modelo de hospedagem que aposta na convivência e na troca de experiências.

Diferentemente dos hotéis tradicionais, os hostels priorizam ambientes compartilhados e a interação entre os hóspedes. No Aquiri, que está próximo de completar três anos de funcionamento, a proposta surgiu a partir da experiência da proprietária, a guia de turismo Bárbara Huberty, que já mantinha um espaço para receber motorhomes.

“Eu já tenho um ponto de apoio para casas rodantes, que chamamos de motorhomes, o camping A Caminho dos Andes, onde recebemos viajantes que cruzam o Acre rumo ao Peru, ou que já estão fazendo esse caminho de volta. A partir daí vi a oportunidade de receber pessoas que procuram um lugar com ótimo custo-benefício, acessível, com espaços de convivência e chance de conhecer outros viajantes”, conta.

O público recebido pelo Aquiri é diversificado e inclui mulheres que viajam sozinhas, casais, famílias com crianças e grupos de viajantes, principalmente peruanos. O espaço também recebe moradores do Acre interessados em passar um período de descanso em meio à natureza sem precisar deixar a cidade.

Já o Hostel Povos da Floresta, administrado pelos sócios Luso Arte e Wendell Carlos, surgiu com a proposta de ir além da hospedagem. O espaço busca aproximar os visitantes da cultura amazônica, da história regional, da biodiversidade e dos conhecimentos ancestrais dos povos originários.

“O espaço foi construído com propósito, sensibilidade e profundo respeito à Amazônia, às pessoas e às diferentes formas de expressão cultural. Nossa proposta é aproximar visitantes de diversas culturas, da história da região, da biodiversidade amazônica e dos conhecimentos ancestrais dos Povos Originários, que ajudam a formar a identidade do nosso território”, destacam.

Natureza e convivência

Os dois estabelecimentos recebem, em média, cerca de 30 hóspedes por mês, número que pode variar conforme a época do ano, férias, eventos culturais e o fluxo de turistas que passam pela capital.

No Aquiri, a experiência também inclui alimentação preparada sob demanda, com café da manhã, café da tarde e jantares com inspiração na culinária latina. O local promove ainda atividades de integração, como a noite do “Kibe Louco”, que reúne karaokê e convivência entre os hóspedes.

Atualmente, o espaço também desenvolve projetos voltados ao público feminino e prepara o início do Clube do Fazer.

Para Bárbara, a procura de moradores locais é especialmente significativa. O hostel recebe famílias que vão acampar, casais que procuram passar o fim de semana e pessoas interessadas em aproveitar o quintal, as redes e o contato com as árvores e os pássaros.

“Isso é muito legal, proporcionar essa hospedagem acolhedora com jeitinho de casa e de forma tranquila. Quando recebemos demanda para piqueniques em nossa área de camping, quando pais e filhos vêm acampar; casais que vêm passar o fim de semana, aproveitar nosso quintal para deitar na rede, sentir o vento balançando nas árvores, ouvir o canto dos passarinhos, tudo isso sem estar fora da cidade”, relata.

O Hostel Povos da Floresta também aposta em atividades que aproximam os visitantes da cultura local. O espaço reúne galeria de arte regional, salão de beleza e experiências culturais, além de promover exposições, apresentações artísticas, residências criativas, oficinas, rodas de conversa, pesquisas, intercâmbios estudantis e culturais e celebrações temáticas.

Uma experiência além da hospedagem

A localização é um dos diferenciais apontados pelos responsáveis pelos dois hostels. Para os administradores do Povos da Floresta, Rio Branco funciona como uma porta de entrada para viajantes que percorrem países da América Latina e procuram uma experiência amazônica mais próxima da realidade local.

Muitos visitantes chegam interessados na cultura, nos saberes tradicionais, na natureza e nas diferentes expressões culturais e espirituais presentes na região, incluindo tradições relacionadas à cultura ayahuasqueira e aos povos originários.

O contato com a natureza também está presente na rotina dos hóspedes. O espaço é cercado por árvores nativas e frutíferas, além de fauna e flora características da região, permitindo uma experiência de imersão amazônica mesmo dentro do ambiente urbano.

“Nossas atividades e localização despertam bastante interesse. Essa combinação entre acessibilidade urbana e contato direto com a natureza chama a atenção de moradores, visitantes e viajantes”, destacam Luso e Wendell.

No Aquiri, a proposta é criar uma atmosfera de casa. Os hóspedes costumam destacar o acolhimento, a limpeza, o café da manhã e a tranquilidade do ambiente. A estrutura também conta com cozinha equipada, espaço para leitura e animais de estimação que fazem parte da rotina do local.

Para Bárbara, a experiência de receber pessoas acabou ganhando um significado que vai além da atividade comercial.

“Essa história marcou muito, porque aí senti que hospedar é cuidar. Tem que gostar de gente e tem que ser genuíno, sem firula, sem alardes. Quando é assim, tudo flui de forma leve e ordenada”, afirma.

Acolhimento e identidade acreana

O Aquiri oferece diferentes modalidades de acomodação, incluindo quarto compartilhado exclusivamente feminino, com banheiro interno, cortinas, armário, luz e tomada individual nas camas. As hóspedes desse dormitório também recebem uma chave individual.

Há ainda opções de suíte familiar, quarto de casal e dormitório compartilhado masculino. Para os visitantes, Bárbara também prepara roteiros personalizados de acordo com o perfil de cada hóspede, sem cobrança adicional.

“Temos espaços que convidam ao descanso e à convivência, como quintal, redário, além das opções de quarto compartilhado exclusivamente feminino. Cada hóspede que chega aqui a gente faz um roteiro sob demanda, de acordo com o perfil dele, isso sem custo algum”, explica.

No Hostel Povos da Floresta, a proposta combina hospedagem, arte, cultura, natureza e experiências sensoriais. Para os proprietários, a intenção é criar um ambiente onde o visitante possa descansar, socializar, conhecer manifestações culturais e se reconectar com o próprio entorno.

“Nossos dormitórios são confortáveis e preparados para garantir um descanso tranquilo, seja para quem está chegando à Amazônia, seja para quem retorna de um dia repleto de descobertas, aprendizados e vivências pela região”, afirmam.

Com propostas diferentes, mas baseadas na convivência e no contato com a natureza, os dois espaços mostram uma mudança no perfil dos hostels em Rio Branco. Mais do que oferecer uma cama para passar a noite, eles buscam transformar a hospedagem em uma experiência de contato com a cultura, a natureza e o modo de vida amazônico.

Para Bárbara, o objetivo é fazer com que quem passe pelo Aquiri leve consigo um pouco da identidade acreana.

“No Aquiri Hostel queremos que o hóspede tenha um ambiente que o convide a descansar, preparar sua comida e conviver no seu próprio ritmo. Nossa proposta é que ele se sinta bem recebido e leve consigo boas lembranças do nosso povo, história, cultura e acolhimento. Porque o Acre é bom à beça!”, afirma.
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