Cirurgiã pediátrica do Acre participa de conferência internacional nos Estados Unidos

A médica acreana Fernanda Lage Lima Dantas, cirurgiã pediátrica e professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), representou o estado na Conferência Anual da Association of Women Surgeons (AWS), realizada nos dias 25 e 26 de setembro, em Washington, nos Estados Unidos.

O evento reuniu profissionais de diferentes países para discutir temas relacionados à cirurgia global, formação médica e participação feminina na área cirúrgica. Durante a conferência, Fernanda apresentou a experiência desenvolvida no Acre na oferta de atendimento cirúrgico especializado em uma região com grandes desafios de acesso e recursos.

“Levo o exemplo de como a dedicação e o empenho de um profissional podem transformar a realidade de uma população. A ideia de vir a esse evento é apresentar como levamos cirurgia de qualidade em locais remotos, com baixos recursos, como é o nosso Acre”, explicou a médica.

Fernanda é pioneira na implantação do serviço de cirurgia pediátrica no Acre, com atuação principalmente em Rio Branco. Ela também integra o Colégio Americano dos Cirurgiões (ACS), uma das principais organizações internacionais da área.

A relação com o ACS começou em 2018, quando o trabalho desenvolvido pela médica no Acre recebeu reconhecimento da instituição. A premiação possibilitou que ela participasse de um treinamento em um serviço de cirurgia nos Estados Unidos e também do congresso anual da organização.

Em 2019, Fernanda passou a integrar o ACS como fellow, título concedido a membros que se destacam na área. Ela também passou a fazer parte da Association of Women Surgeons, entidade internacional voltada à atuação das mulheres na cirurgia.

Desde 2023, a médica participa do comitê de relações internacionais do ACS e, desde outubro de 2024, integra a diretoria executiva do comitê. Segundo ela, uma das frentes de atuação é ampliar a participação e o reconhecimento das mulheres no ambiente cirúrgico.

Mulheres na cirurgia

Durante a conferência em Washington, a participação feminina na cirurgia também esteve entre os temas discutidos. Fernanda afirma que, apesar dos avanços, mulheres ainda enfrentam preconceito, desmerecimento e falta de reconhecimento em espaços tradicionalmente ocupados por homens.

“Ainda temos muito que evoluir na aceitação das mulheres nesses espaços tradicionalmente masculinos. A mulher ainda tem que provar duas ou três vezes mais que o homem que merece ocupar um espaço nesse ambiente”, afirmou.

Para a médica, o debate deve avançar para que profissionais sejam reconhecidas pela competência, independentemente do gênero. Entre as iniciativas desenvolvidas na área estão campanhas realizadas no Dia Internacional da Mulher, em março, e durante o mês dedicado às mulheres na cirurgia, em setembro.

Neste ano, a campanha teve como tema “Mulheres Cirurgiãs Causando Impacto no Mundo”, reunindo profissionais de diferentes países e dando visibilidade à atuação feminina na cirurgia.

Experiência do Acre

Outro tema levado por Fernanda para o cenário internacional foi a chamada cirurgia global, voltada à ampliação do acesso a procedimentos cirúrgicos de qualidade em regiões remotas e com limitações de recursos.

A médica aponta a experiência do Acre como um exemplo de como a formação de profissionais e a estruturação de serviços especializados podem contribuir para ampliar o atendimento à população.

Ela destaca a criação do curso de Medicina da Ufac e a implantação de programas de residência e especialização em diferentes áreas como parte desse processo de formação e estruturação da assistência.

A experiência desenvolvida no estado já foi apresentada em outros eventos internacionais. No ano passado, Fernanda participou de um painel sobre cirurgia global durante um congresso do Colégio Americano dos Cirurgiões, em Chicago, nos Estados Unidos.

Avanços na cirurgia pediátrica

Na área da cirurgia pediátrica, Fernanda também destaca mudanças no atendimento de crianças nascidas com malformações congênitas no Acre ao longo dos anos.

Segundo a médica, quando iniciou sua atuação no estado, cerca de 95% das crianças com malformações congênitas morriam. De acordo com ela, o trabalho desenvolvido ao longo dos anos contribuiu para mudar esse cenário, com a sobrevivência chegando atualmente a pelo menos 80% desses bebês.

“O nosso trabalho desenvolvido ao longo dos anos ajudou a mudar esse cenário, chegando atualmente à sobrevivência de pelo menos 80% desses bebês, que antes, infelizmente, morriam e nem sequer chegavam a receber o diagnóstico”, declarou.

Fernanda também mantém projetos para estruturar uma assistência integral às crianças com malformações congênitas no Acre. A proposta inclui tratamento cirúrgico, acompanhamento médico, reabilitação e ações voltadas à qualidade de vida dos pacientes.

Os projetos, segundo ela, já estão estruturados e aguardam condições para serem colocados em prática. A médica afirma que, por atuar principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem como objetivo organizar uma rede de assistência que ofereça tratamento integral às crianças com malformações no estado.

“Meu sonho e planos para o futuro, visto que trabalho primordialmente para o Sistema Único de Saúde (SUS), é organizar a assistência à saúde da criança portadora de malformações congênitas no estado, de forma que possamos oferecer tratamento integral”, afirmou.

A participação na conferência em Washington também reforçou a atuação da médica em debates internacionais sobre formação, cirurgia global e presença feminina na medicina. Fernanda afirma que pretende continuar levando a experiência do Acre para outros espaços e defendendo maior equidade na formação e na atuação das mulheres na área médica.

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