Oito militares da Marinha dos Estados Unidos designados ao grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln tentaram suicídio durante um período que incluiu operações de combate contra o Irã. O número foi revelado em uma carta do secretário interino da Marinha, Hung Cao, enviada à senadora Kirsten Gillibrand e divulgada nesta quinta-feira (24).
Segundo Cao, nenhum militar morreu por suicídio durante o período. As oito tentativas envolveram integrantes do porta-aviões, da ala aérea, da equipe do grupo de ataque, dos esquadrões de destróieres e de outros navios e unidades de aviação que faziam parte da operação.
O grupo de ataque reunia entre 6 mil e 7 mil marinheiros distribuídos em aproximadamente seis navios. O USS Abraham Lincoln permaneceu mais de seis meses fora do porto, mantendo um ritmo elevado de operações de combate contra o Irã. De acordo com a carta, a taxa de tentativas registrada no grupo foi aproximadamente semelhante à da Marinha em serviço ativo em 2024, quando foram contabilizadas 356 tentativas entre cerca de 337 mil militares.
A operação contou com recursos específicos de apoio à saúde mental, incluindo cinco capelães, um psicólogo, um assistente social clínico, um conselheiro de prevenção, três técnicos de saúde comportamental e um cão de apoio.
A carta também confirma episódios envolvendo militares que chegaram a cair ou tentar ir ao mar. Um marinheiro da ala aérea caiu do navio no início de agosto e foi rapidamente resgatado. Outro tentou ir ao mar em março, mas foi contido por colegas e recebeu atendimento médico.
Anteriormente, outros dois marinheiros ligados ao grupo de ataque haviam pulado ao mar e foram resgatados. Relatos de integrantes da tripulação também apontaram baixo moral e dificuldades durante o longo período de desdobramento, incluindo problemas com banheiros, bebedouros e disponibilidade de água quente.
O USS Abraham Lincoln deixou o Oriente Médio em agosto e deve retornar ao porto de origem, em San Diego, nas próximas semanas. A Marinha afirmou anteriormente que não havia observado aumento de pensamentos suicidas ou tentativas a bordo e disse manter profissionais médicos, religiosos e de saúde mental disponíveis para atender os militares.





