O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, reforça a importância de reconhecer os primeiros sinais da doença e buscar avaliação médica. No Brasil, a data foi instituída pela Lei nº 11.736/2008.
Diante do envelhecimento da população e do alto número de diagnósticos tardios, é importante reforçar um dos principais alertas da campanha: alterações de memória que interferem na rotina não devem ser consideradas uma consequência natural do envelhecimento e precisam ser investigadas clinicamente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, e cerca de 10 milhões de novos casos são diagnosticados a cada ano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, representando entre 60% e 70% dos casos.
No Brasil, o Ministério da Saúde estima que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas convivam com algum tipo de quadro demencial. A expectativa é de que esse número cresça de forma acelerada nas próximas décadas.
Maioria dos casos ainda não é diagnosticada
Além da frequência da doença, outro desafio é o subdiagnóstico. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), baseado em dados de 5,2 mil idosos acompanhados pelo ELSI-Brasil, apontou que 83,1% dos casos de demência não possuem diagnóstico formal.
O índice é ainda maior entre pessoas com menor escolaridade e moradores de regiões com piores indicadores socioeconômicos. Nessas áreas mais vulneráveis, o percentual de casos sem diagnóstico chega a 90,2%.
Os primeiros sinais de Alzheimer podem aparecer de maneira discreta e acabar confundidos com mudanças consideradas comuns no processo de envelhecimento. Repetir a mesma pergunta diversas vezes, esquecer acontecimentos ou compromissos recentes, perder objetos com frequência e apresentar dificuldade para se orientar em caminhos conhecidos estão entre os sinais que merecem atenção.
A identificação precoce dessas alterações permite investigar as possíveis causas, estabelecer um diagnóstico adequado e planejar o tratamento e os cuidados necessários de maneira mais oportuna.
Prevenção começa antes dos primeiros sinais
Além do diagnóstico precoce, a prevenção também tem papel importante na redução dos riscos relacionados à demência. Em diretrizes divulgadas em julho de 2026, a OMS estimou que até 45% do risco de demência pode estar associado a fatores modificáveis ao longo da vida.
Entre eles estão o tabagismo, o consumo de álcool, a falta de atividade física, o isolamento social, a exposição à poluição do ar e doenças crônicas como hipertensão e diabetes.
As recomendações da OMS estão concentradas em três frentes: controle de condições clínicas, redução da exposição a fatores ambientais e estímulo à atividade cognitiva.
Na prática, essas medidas ampliam a discussão sobre Alzheimer para além da neurologia. O controle da pressão arterial, especialmente na meia-idade, o acompanhamento do diabetes, a prática de atividades físicas e a manutenção de vínculos sociais também fazem parte dos cuidados relacionados à saúde cerebral.
Nenhuma dessas medidas garante que uma pessoa não desenvolverá a doença, mas a combinação de hábitos e cuidados pode contribuir para reduzir riscos em nível populacional.
Cuidado também envolve familiares
O acompanhamento de pessoas com Alzheimer também exige atenção aos familiares e cuidadores. O suporte ao cuidador, o acompanhamento multiprofissional e a comunicação clara sobre as diferentes fases da doença fazem parte de uma assistência voltada à qualidade e à segurança do paciente.
Neste 21 de setembro, a principal orientação é observar mudanças persistentes de memória e comportamento e não atribuí-las automaticamente ao envelhecimento. Quando o esquecimento começa a interferir nas atividades do dia a dia, procurar avaliação médica é um passo importante para esclarecer as causas e definir os cuidados necessários.





