Socorrista se emociona ao relatar atendimento a criança de 6 anos vítima de violência sexual em Rio Branco

Um desabafo feito pelo condutor socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Averaldo Azevedo, repercutiu nas redes sociais neste sábado (19). Em vídeo publicado após o plantão, o profissional relatou a dor e a revolta que sentiu ao participar do atendimento a uma criança de apenas seis anos que teria sido vítima de violência sexual na capital acreana.

Segundo Averaldo, a ocorrência aconteceu por volta das 23h e mobilizou uma equipe da unidade avançada do Samu. O socorrista contou que o clima dentro da ambulância mudou completamente quando a médica de plantão soube da situação.

“Quando ela falou assim: ‘eu tô indo porque uma criança de 6 anos foi estuprada’, ela entrou na viatura surtada”, relatou.

De acordo com ele, a médica insistiu em acompanhar pessoalmente o atendimento devido à gravidade do caso. Ao chegarem à unidade de saúde, a reação da criança abalou toda a equipe.

“Quando nós chegamos na UPA, que nós fomos atrás da criança, a criança olhou em nós e ela… seis anos, seis anos”, disse, emocionado.

Averaldo contou que a médica permaneceu ao lado da menina, tentando acalmá-la e conquistar sua confiança.

“Eu vi a doutora conversando com ela, tentando distrair ela, conversando com ela”, afirmou.

Mesmo assim, a criança demonstrava medo e sofrimento. Segundo o socorrista, um dos momentos mais marcantes ocorreu quando a menina correu chorando para dentro da unidade.

“Ela conseguiu soltar na mão da doutora e correu pra dentro chorando da UPA. Aquilo me abalou tanto. Me revoltou tanto”, declarou.

O profissional afirmou que a cena o fez lembrar da própria família.

“Eu lembrei da minha sobrinha, da minha neta”, contou.

Durante o relato, Averaldo também criticou o que classificou como tentativas de desacreditar ou minimizar a situação da criança.

“E a desgraçada de uma tia que tinha lá, querendo convencer que a menina não tinha sido violentada por alguém”, disse.

A indignação aumentou quando, segundo ele, algumas pessoas pareciam mais preocupadas em proteger o possível autor do crime do que a vítima.

“E o que me dói é ver a família protegendo uma desgraça dessas. Não quer saber se é irmão, dessa tia, o que é que ele é. Não quer saber. Ele tem que pagar”, afirmou.

Ao falar sobre o impacto emocional da ocorrência, o socorrista destacou que situações como essa deixam marcas profundas nos profissionais que atuam no atendimento de urgência.

“Tá lá uma criança arrebentada, seis anos. Isso é um trauma que fica na gente como profissional. Não apaga. Não tem como apagar”, desabafou.

Já em casa, segundo ele, o assunto continuou ocupando seus pensamentos.

“Eu cheguei aqui e falei pra minha namorada o que tinha acontecido”, relatou.

Averaldo também defendeu punições mais severas para crimes dessa natureza e cobrou respostas das autoridades.

“O nosso país tem que ser mais rigoroso com quem não quer obedecer a lei”, afirmou.

Ao encerrar o vídeo, o socorrista demonstrou esperança de que o responsável seja identificado e punido.

“Esse desgraçado, a Justiça vai chegar nele. Se a Justiça dos homens não chegar nele, a de Deus vai chegar”, declarou.

O caso segue sob investigação das autoridades. Por envolver uma criança, os detalhes da ocorrência são mantidos sob sigilo para preservar a vítima e seus familiares.

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