Ex-presidente do Kosovo é condenado a 25 anos de prisão por crimes de guerra

O ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaçi, de 58 anos, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes de guerra cometidos durante o conflito entre forças kosovares e sérvias, ocorrido entre 1998 e 1999. A sentença foi anunciada nesta quarta-feira (16) pelas Câmaras Especializadas do Kosovo, tribunal sediado em Haia, nos Países Baixos.

Thaçi foi considerado culpado pelos crimes de assassinato, tortura, tratamento cruel e detenção arbitrária. Segundo a decisão, ele teve participação em uma estrutura ligada ao Exército de Libertação do Kosovo (ELK) responsável por manter pessoas presas ilegalmente, submetê-las a maus-tratos e promover assassinatos de indivíduos considerados opositores políticos ou colaboradores das forças sérvias.

De acordo com o tribunal, o grupo foi responsabilizado pela detenção arbitrária de pelo menos 385 pessoas, pela tortura de 303 e pelo tratamento cruel de outras 49. A Corte também considerou comprovado o assassinato de 96 vítimas durante o conflito.

Além de Thaçi, outros três ex-comandantes do ELK também foram condenados. Jakup Krasniqi recebeu pena de 25 anos de prisão, Kadri Veseli foi sentenciado a 18 anos e Rexhep Selimi a 13 anos. O período já cumprido em prisão preventiva será descontado das penas, e todos ainda podem recorrer da decisão.

Os juízes, porém, absolveram os acusados de seis acusações relacionadas a crimes contra a humanidade. Segundo o tribunal, não houve provas suficientes para demonstrar que os atos integravam um ataque generalizado e sistemático contra a população civil, requisito exigido para esse tipo de condenação.

A Corte destacou ainda que o julgamento não representa uma avaliação sobre a legitimidade da luta pela independência do Kosovo, mas sim sobre os crimes atribuídos aos acusados durante a guerra.

Figura central no processo de independência do Kosovo, Hashim Thaçi foi um dos principais líderes políticos do ELK e, após o conflito, ocupou os cargos de primeiro-ministro e presidente do país. Ele deixou a Presidência em 2020, quando foi formalmente acusado e se entregou às autoridades em Haia.

Thaçi sempre negou as acusações, afirmando que atuou em defesa da independência do território. A condenação provocou forte repercussão no Kosovo, onde ele ainda é visto por muitos como um dos símbolos da luta contra o domínio sérvio.

A guerra do Kosovo deixou cerca de 13 mil mortos. Em 2008, o território declarou independência, reconhecimento aceito por diversos países, mas ainda contestado pela Sérvia.

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