Vinte e cinco anos após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, os efeitos da tragédia continuam provocando mortes nos Estados Unidos. Neste ano, o número de pessoas que morreram em decorrência de doenças associadas à exposição durante e após os atentados já ultrapassou o total de vítimas fatais registradas naquele dia.
Os ataques coordenados pela Al-Qaeda, grupo liderado à época por Osama bin Laden, deixaram 2.977 mortos entre passageiros, tripulantes e civis. As vítimas estavam nos locais atingidos pelos aviões sequestrados e nas proximidades das áreas dos ataques.
As consequências, porém, continuaram por décadas. Dados do Fundo de Compensação às Vítimas do 11 de Setembro (VCF) apontam que pedidos de indenização relacionados a mortes provocadas por doenças associadas aos atentados já chegam a 9.780, dos quais 6.287 foram atendidos.
Na prática, os números indicam que 3.310 pessoas morreram em decorrência de complicações de saúde relacionadas aos ataques, além das vítimas fatais registradas diretamente em 11 de setembro.
Onde ocorreram os ataques
Quatro aviões comerciais foram sequestrados por integrantes da Al-Qaeda durante os atentados.
- American Airlines 11: fazia a rota entre Boston e Los Angeles e foi sequestrado por cinco terroristas. A aeronave transportava 81 pessoas e atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
- United Airlines 175: também partia de Boston com destino a Los Angeles. O avião levava 60 pessoas e foi tomado por cinco sequestradores antes de atingir a Torre Sul do World Trade Center.
- American Airlines 77: seguia de Washington, D.C., para Los Angeles, com 59 pessoas a bordo. A aeronave foi lançada contra o lado oeste do Pentágono.
- United Airlines 93: fazia a rota entre Newark e São Francisco, com 40 pessoas a bordo. O avião foi sequestrado por quatro integrantes da Al-Qaeda e caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.
Doenças provocadas pela exposição
Após o impacto dos dois aviões contra as Torres Gêmeas, os edifícios foram tomados por incêndios e posteriormente desabaram. O colapso espalhou enormes nuvens de poeira pelas áreas próximas ao World Trade Center.
A poeira e a fumaça continham substâncias potencialmente prejudiciais à saúde, incluindo amianto, sílica, concreto e subprodutos cancerígenos produzidos pelo incêndio.
Estudos apontam que, em Nova York, uma das regiões mais afetadas, a poeira e a fumaça tóxica chegaram a atingir um raio de aproximadamente 2,4 quilômetros a partir dos pontos de impacto das aeronaves.
Na Pensilvânia, o Programa de Saúde do World Trade Center aponta que a queda do voo 93 provocou focos de incêndio e fumaça. No Pentágono, equipes de resgate e limpeza ficaram potencialmente expostas à fumaça, ao combustível de aviação, ao calor das chamas, a produtos químicos perigosos e a detritos.
A exposição foi associada ao agravamento ou desenvolvimento de diferentes problemas de saúde, entre eles queimaduras, fraturas, doenças respiratórias, transtornos de saúde mental e câncer.
Fundo de compensação
Criado em 2011 pelo governo do então presidente Barack Obama, o Fundo de Compensação às Vítimas do 11 de Setembro busca indenizar pessoas que sofreram ferimentos, desenvolveram doenças ou morreram em consequência dos atentados.
Socorristas, sobreviventes, turistas, familiares de vítimas e outras pessoas que estiveram próximas aos locais dos ataques e tiveram a saúde afetada podem solicitar compensação financeira.
Das mais de 9 mil solicitações relacionadas a mortes, 811 foram apresentadas entre janeiro e agosto de 2026.
Ao longo dos últimos 25 anos, o fundo recebeu 200.552 pedidos de indenização. Desse total, 77.302 foram atendidos, sendo 71.015 relacionados a ferimentos ou outras complicações de saúde. Os pagamentos realizados já ultrapassam US$ 18,5 bilhões.
Os números mostram que, mesmo 25 anos depois, as consequências dos atentados continuam atingindo pessoas que foram expostas à destruição, à fumaça e aos materiais tóxicos liberados durante o episódio.





