Moradores enlutados de Kfar Rumman, no sul do Líbano, participaram nesta terça-feira (8) de um velório coletivo das vítimas dos ataques israelenses ocorridos na região na segunda-feira (7).
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 12 pessoas morreram durante os bombardeios contra a cidade, em uma das jornadas mais letais de ataques israelenses no país nas últimas semanas.
A ofensiva aumentou o temor entre os libaneses de que Israel esteja preparando uma nova campanha militar no país, após dias de intensificação dos ataques. A escalada ocorre apesar do cessar-fogo estabelecido em junho, que tinha como objetivo interromper os confrontos entre as Forças Armadas de Israel e o grupo armado libanês Hezbollah.
Ataque atingiu prédio residencial
Uma mulher que afirmou ser parente de pelo menos três das vítimas relatou que um dos ataques atingiu um prédio residencial enquanto crianças se preparavam para ir à escola.
As Forças Armadas de Israel afirmaram que o alvo da operação eram indivíduos que teriam sido vistos transportando armas na região de Kfar Rumman.
O Ministério da Saúde libanês informou que 11 pessoas morreram no ataque ao edifício residencial. Segundo a mídia estatal, a ofensiva ocorreu depois da meia-noite, no horário local.
Em outro ataque, realizado por um drone israelense contra um veículo civil na cidade, um socorrista morreu, de acordo com o Ministério da Saúde. Outros dois socorristas ficaram feridos.
Os ataques contra Kfar Rumman ocorreram sem que as Forças Armadas de Israel emitissem previamente um aviso para que moradores deixassem a área.
Israel diz ter adotado medidas para evitar mortes
As Forças Armadas de Israel afirmaram que adotaram medidas para reduzir os danos a pessoas que não estavam envolvidas nos confrontos.
Segundo o Exército, foram utilizadas munições de precisão e realizada vigilância aérea durante as operações. As Forças Armadas também informaram que estão analisando os relatos de que pessoas não envolvidas no conflito teriam sido atingidas pelos ataques.
Mais de 4.300 mortos no Líbano
Desde que o Hezbollah disparou foguetes contra Israel, em 2 de março, os ataques israelenses contra o Líbano já deixaram mais de 4.300 mortos, segundo o Ministério da Saúde libanês.
O episódio ocorreu dois dias depois do início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que contribuíram para uma nova escalada militar na região e foram seguidos por uma ofensiva aérea e terrestre israelense contra o Líbano.
Entre os mortos estão mais de 250 crianças, quase 400 mulheres e mais de 130 socorristas, de acordo com os dados do Ministério da Saúde do Líbano.
A pasta não diferencia civis e combatentes nos seus balanços, enquanto o Hezbollah não divulgou um número de mortos entre seus próprios integrantes.
Cessar-fogo reduziu violência, mas ataques continuam
O cessar-fogo estabelecido em junho provocou uma redução significativa da violência no país. Apesar disso, tropas israelenses que permanecem em áreas ocupadas do sul do Líbano continuaram destruindo vilarejos dentro da chamada zona de segurança autodeclarada.
O Exército israelense também manteve ataques tanto dentro dessa área quanto em regiões localizadas ao norte dela, na maioria das vezes sem emitir previamente avisos de retirada para a população.





