O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, propôs nesta sexta-feira (4) que Rússia e Ucrânia adotem um cessar-fogo limitado nos ataques aéreos durante o período de negociações com representantes dos Estados Unidos.
Segundo Zelensky, Kiev estaria disposta a interromper os ataques aéreos enquanto as tratativas estiverem em andamento, desde que Moscou também assuma o compromisso de suspender ações semelhantes.
“Não haverá ataques aéreos de nossa parte, e a Rússia deve, de forma recíproca, garantir um cessar-fogo, sem ataques aéreos, pelo tempo necessário para conduzir essas negociações”, afirmou o presidente ucraniano.
A proposta prevê a interrupção do uso de drones e outros meios de ataque pelo período considerado necessário para o avanço das conversas. A medida, entretanto, dependeria da adesão recíproca do governo russo.
A declaração ocorre em meio a novas tentativas de mediação para interromper a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura cerca de quatro anos e meio. As negociações contam com a participação de representantes dos Estados Unidos, entre eles Steve Witkoff e Jared Kushner, envolvidos nos esforços diplomáticos entre Washington, Moscou e Kiev.
Até o momento, a Rússia não confirmou oficialmente a visita dos dois enviados norte-americanos a Moscou.
A proposta de Zelensky surge em um cenário no qual ataques de longa distância continuam sendo uma das principais características do conflito. Rússia e Ucrânia utilizam regularmente drones e mísseis contra alvos militares, estruturas de infraestrutura e instalações consideradas estratégicas.
Caso seja aceita pelos dois lados, a suspensão dos ataques aéreos poderia representar uma medida inicial de confiança para criar um ambiente mais favorável às negociações. O alcance da iniciativa, porém, ainda não está definido e dependerá da disposição de Moscou em adotar uma pausa nos ataques.
Rússia diz que Zelensky pode ir a Moscou
Enquanto Zelensky defende medidas para reduzir os combates, o Kremlin afirmou, no início desta semana, que estaria disposto a receber o presidente ucraniano em Moscou.
O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, declarou que Moscou está aberta à participação de países interessados em contribuir para uma solução diplomática para o conflito.
Segundo Peskov, o presidente Vladimir Putin mantém a posição de que Zelensky poderia viajar à capital russa caso queira participar de negociações.
“Acolhemos com satisfação os esforços de qualquer país que possa dar qualquer contribuição [para a resolução do conflito]”, afirmou o porta-voz.
A declaração, no entanto, não significa que o Kremlin considere possível uma reunião imediata entre Putin e Zelensky. De acordo com Peskov, uma eventual cúpula entre os presidentes dependeria de avanços e da conclusão de acordos prévios entre as delegações.
O porta-voz afirmou ainda que os entendimentos necessários terão de ser construídos durante negociações consideradas complexas por Moscou.
“Se estivermos falando de uma [cúpula trilateral], é necessário apenas finalizar alguns acordos”, declarou.
A posição russa mantém uma diferença importante em relação à proposta apresentada por Kiev. Enquanto a Ucrânia busca estabelecer uma interrupção concreta dos ataques como forma de criar condições para o diálogo, Moscou defende que uma eventual reunião entre Putin e Zelensky seja precedida por avanços nas negociações entre as delegações.





