Cerca de 200 produtores rurais dos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves estão sendo beneficiados pelo projeto “Recuperação Produtiva de Paisagens Resilientes no Estado do Acre, Amazônia”, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) com financiamento da União Europeia.
A iniciativa teve início em dezembro de 2022 e busca recuperar áreas degradadas, melhorar a produtividade das propriedades rurais e fortalecer organizações comunitárias da região. Segundo o pesquisador do IPAM e coordenador das ações de desenvolvimento territorial, Aliedson Ferreira, o projeto incentiva a adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis e rentáveis.
“O objetivo central é a recuperação produtiva de áreas degradadas ou alteradas. Isso abrange desde a restauração de pastagens até a conversão dessas áreas em sistemas produtivos mais sustentáveis, como os sistemas agroflorestais, além do fortalecimento da mandiocultura. O intuito é permitir que o produtor implemente melhorias em sua propriedade para elevar a fertilidade do solo e aumentar sua renda”, explicou.
Além do atendimento direto aos produtores, o projeto também atua no fortalecimento de associações e cooperativas do Vale do Juruá. Entre as entidades beneficiadas estão a Cacau Com Elas, a Associação Força Jovem, a Cooperfan e a Coopersintra.
Após a realização de diagnósticos para identificar as principais demandas de cada organização, foram entregues equipamentos destinados a modernizar e ampliar a produção. Entre os itens distribuídos estão pulverizadores motorizados para controle de pragas e doenças, refrigeradores para armazenamento de chocolate, aparelhos de ar-condicionado, mesas vibratórias para acabamento de produtos, fritadeiras de banana com capacidade para processar até 54 quilos por dia e seladoras para embalagens de farinha.


“São tecnologias que substituem parte do processo manual, oferecendo mais agilidade, melhorando a qualidade dos produtos e trazendo mais profissionalismo para a produção das cooperativas e associações”, destacou Aliedson.
De acordo com o pesquisador, os investimentos variam conforme a necessidade de cada entidade, mas giram em torno de R$ 50 mil a R$ 60 mil por organização.
“Muitas vezes essas organizações já possuem um grande potencial produtivo, mas enfrentam dificuldades por falta de equipamentos adequados. Nosso trabalho é identificar essas necessidades e contribuir para que elas avancem em sua capacidade de produção e comercialização”, afirmou.
O pesquisador explicou que os recursos são obtidos por meio de editais lançados por instituições internacionais. O IPAM analisa as oportunidades alinhadas às suas áreas de atuação e submete propostas para captação dos investimentos.
“Essas instituições internacionais lançam chamadas públicas com objetivos específicos. Nós avaliamos quais oportunidades estão alinhadas ao nosso trabalho e apresentamos projetos. Quando a proposta é aprovada, conseguimos trazer esses recursos para beneficiar diretamente os produtores e as organizações locais”, explicou.
Atualmente, o projeto atende um grupo fechado de 200 produtores e não possui previsão para inclusão de novos participantes devido às limitações orçamentárias. Segundo Aliedson, essa estratégia permite oferecer acompanhamento técnico mais eficiente aos beneficiários.
“Trabalhamos com grupos fechados justamente para garantir que a assistência técnica tenha qualidade e gere resultados concretos. Existe um limite de recursos por unidade familiar, por isso não é possível ampliar o número de participantes neste momento”, disse.
Apesar disso, o pesquisador afirmou que a expectativa é ampliar o alcance das ações nos próximos anos.
“À medida que novos projetos forem aprovados, serão abertos novos processos seletivos. Hoje atendemos cerca de 200 produtores, mas nossa expectativa é ampliar esse alcance para aproximadamente 300 famílias no Vale do Juruá nos próximos anos, fortalecendo a produção rural e promovendo o desenvolvimento sustentável da região”, concluiu Aliedson Ferreira.





