A Ucrânia pediu à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), que recomende aos países-membros a proibição total de operações de aeronaves civis no espaço aéreo da Rússia.
O pedido ocorre um dia depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmar que o espaço aéreo russo está “se tornando completamente inseguro” diante do aumento das operações militares e dos ataques com drones.
Na terça-feira (1º), autoridades ucranianas anunciaram que o país intensificaria as ações de retaliação contra os ataques russos cada vez mais frequentes contra Kiev. A capital ucraniana estava sob alerta aéreo contínuo havia sete dias e registrava danos à infraestrutura civil.
Zelensky afirmou que os ataques ucranianos teriam como alvo apenas instalações militares russas e que o país não pretende representar uma ameaça à aviação civil. Ao mesmo tempo, porém, destacou que o aumento da presença de drones ucranianos no espaço aéreo da Rússia deveria ser levado em consideração.
Ucrânia pede medidas para proteger voos comerciais
Em uma carta enviada ao presidente da OACI, Juan Carlos Salazar, o ministro da Infraestrutura da Ucrânia, Mykola Kalashnyk, afirmou que Kiev considera necessário reduzir o risco de possíveis tragédias envolvendo aeronaves civis.
O governo ucraniano solicitou que a organização incentive autoridades de aviação e companhias aéreas a adotarem medidas para proteger os voos comerciais, inclusive facilitando uma eventual proibição completa, por parte dos Estados-membros, de operações de aeronaves civis no espaço aéreo russo.
Apesar da guerra iniciada com a invasão russa da Ucrânia em 2022, o espaço aéreo da Rússia continua sendo utilizado por companhias aéreas de países como China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e outras nações do Golfo.
Já empresas aéreas dos Estados Unidos e da Europa não costumam utilizar rotas sobre o território russo em razão do conflito.
OACI alerta para riscos em zonas de conflito
A OACI não possui autoridade para impor diretamente regras aos seus 193 países-membros. No entanto, suas decisões e recomendações exercem influência sobre as políticas nacionais de aviação.
A organização, sediada em Montreal, é responsável por estabelecer padrões internacionais relacionados à segurança e ao funcionamento da aviação civil.
Em comunicado divulgado na quarta-feira (2), a OACI alertou que os riscos de aeronaves comerciais serem atingidas por armas ou pelo fogo cruzado estão aumentando.
A agência afirmou que, embora o setor aéreo tenha capacidade de alterar rotas e manter operações durante conflitos, essa flexibilidade não elimina a ameaça à segurança dos passageiros e das tripulações.
Ataques já provocaram fechamento de aeroportos
Uma empresa especializada em avaliação de riscos para a aviação afirmou que os ataques ucranianos com drones e mísseis já demonstraram capacidade de atingir regiões dentro do território russo.
Segundo a análise, as ofensivas provocaram o fechamento temporário de aeroportos e o cancelamento de voos.
A consultoria avaliou que as declarações de Zelensky representam publicamente uma situação que, segundo sua análise, a Ucrânia já vem provocando há meses: interrupções no funcionamento do espaço aéreo russo.
Rússia acusa Zelensky de “terrorismo de Estado”
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou as declarações de Zelensky como uma forma de “terrorismo de Estado”. Moscou também afirmou que pretende impedir qualquer tentativa de interrupção da aviação civil no país.
Um episódio ocorrido em 2024 aumentou as preocupações sobre os riscos enfrentados por aeronaves comerciais na região. Naquele ano, 38 pessoas morreram depois que um avião da Azerbaijan Airlines, que seguia para Grozny, na Rússia, desviou de sua rota e realizou um pouso forçado no Cazaquistão.
Posteriormente, Putin afirmou que dois mísseis russos haviam detonado nas proximidades da aeronave depois que drones ucranianos entraram no espaço aéreo russo.
Espaço aéreo ucraniano continua fechado
A Ucrânia fechou seu espaço aéreo para o tráfego civil em fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala do país. Desde então, os aeroportos ucranianos permanecem fechados para operações comerciais regulares.
A interrupção também afetou as companhias aéreas do país. A SkyUp, única companhia aérea ucraniana ainda em operação, passou a operar a partir da vizinha Moldávia.
O novo alerta de Kiev à OACI ocorre em meio ao aumento das operações com drones e à intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia, ampliando o debate internacional sobre os riscos para a aviação civil em áreas próximas ao conflito.





