Síria inicia destruição de armas químicas remanescentes do regime de Assad

A Síria iniciou a destruição de remanescentes de seu antigo programa clandestino de armas químicas, criado durante o governo do ex-presidente Bashar al-Assad. Os materiais foram localizados e recuperados em maio e incluem matérias-primas e munições semelhantes às utilizadas em ataques com gás durante a guerra civil síria.

A operação representa a primeira destruição de armas químicas desse tipo realizada no país em uma década. A informação foi apresentada nesta quinta-feira (3) pelo embaixador da Síria na Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Olabi, e pela alta representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu, durante uma reunião do Conselho de Segurança.

Segundo Nakamitsu, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) verificou, pela primeira vez desde 2014, a destruição de munições químicas em território sírio.

Novos materiais foram encontrados

Depois da descoberta inicial, em maio, as autoridades sírias identificaram outros locais e materiais relacionados ao antigo programa de armas químicas.

Entre as novas descobertas estão uma instalação adicional de produção de armas químicas, uma substância que não havia sido identificada anteriormente e que era utilizada na fabricação de agentes neurotóxicos, além de munições químicas vazias.

As autoridades também declararam duas instalações de armazenamento onde os novos materiais e equipamentos encontrados estavam sendo mantidos.

No mês passado, uma equipe da OPAQ esteve na Síria para verificar a destruição de armas químicas classificadas na categoria três. Essa categoria inclui munições não preenchidas e outros equipamentos utilizados para liberar agentes químicos.

Durante a missão, a equipe confirmou a destruição irreversível de 42 bombas aéreas.

Síria afirma estar protegendo a região

Durante a reunião do Conselho de Segurança, Ibrahim Olabi afirmou que o trabalho realizado pelas autoridades sírias tem como objetivo reduzir os riscos provocados pelo antigo arsenal químico.

Segundo o embaixador, a Síria estaria “protegendo o mundo e a região” por meio da operação de localização e destruição dos materiais.

Olabi, no entanto, também fez duras críticas a Israel. Ele afirmou que ataques israelenses realizados repetidamente na região prejudicaram algumas operações de busca e destruição e colocaram em risco as equipes sírias envolvidas na missão.

O embaixador declarou que não é possível garantir a segurança regional enquanto a própria segurança das equipes responsáveis pela operação estiver ameaçada.

As Forças Armadas de Israel não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre as acusações.

Suspeitos devem ser julgados

Além da destruição do arsenal, as autoridades sírias também estão avançando nas investigações sobre os responsáveis pelo antigo programa de armas químicas.

De acordo com Olabi, o país está se preparando para realizar a primeira audiência judicial envolvendo pessoas suspeitas de participação no programa.

No início deste ano, as autoridades sírias prenderam 18 suspeitos de suposto envolvimento no desenvolvimento e funcionamento do programa de armas químicas durante o governo de Assad.

Entre os detidos estão militares, autoridades políticas e funcionários técnicos de alto escalão.

A operação de destruição e as investigações judiciais fazem parte dos esforços da nova liderança síria para identificar, eliminar e responsabilizar envolvidos no antigo programa de armas químicas do país.

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