O verão de 2026 foi o mais quente já registrado na França, segundo o serviço meteorológico do país. A temporada foi marcada por temperaturas muito acima da média histórica, além de incêndios florestais de grandes proporções e uma situação de seca considerada excepcional.
A diretora do serviço meteorológico Météo-France, Virginie Schwarz, afirmou que as temperaturas médias registradas durante o verão ficaram cerca de 5 °C acima dos níveis observados no período pré-industrial.
De acordo com os meteorologistas, parte significativa desse aumento está diretamente relacionada às mudanças climáticas, embora a variabilidade natural dos padrões meteorológicos também tenha contribuído para as condições extremas.
Quase metade do país passou dos 40 °C
O calor atingiu praticamente todo o território francês. Segundo Schwarz, 90% da França metropolitana registrou pelo menos um dia com temperaturas superiores a 35 °C.
Além disso, quase metade do país enfrentou temperaturas acima dos 40 °C durante o verão, provocando condições extremas e aumentando os riscos relacionados à saúde, aos incêndios e à escassez de água.
A situação também afetou áreas urbanas. Em Paris, moradores e turistas enfrentaram temperaturas elevadas durante diferentes ondas de calor ao longo da temporada.
Incêndios destruíram milhares de hectares
O calor intenso veio acompanhado de uma temporada de incêndios florestais considerada excepcional pelas autoridades francesas.
A ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, afirmou que os incêndios registrados no país tiveram frequência e proporções fora do padrão. Segundo ela, a área destruída pelas chamas foi seis vezes maior do que a média registrada nas duas décadas anteriores.
Um dos maiores incêndios ocorreu no sudoeste da França, no final de julho. O fogo devastou aproximadamente 50 mil hectares, destruiu centenas de casas e provocou a evacuação de até 220 mil pessoas.
O avanço das chamas foi favorecido pelas altas temperaturas, pela vegetação seca e pela escassez de chuva em diferentes regiões.
Seca continua em todo o país
Além das temperaturas extremas e dos incêndios, a França enfrenta uma situação persistente de seca.
Segundo Barbut, a estiagem continua afetando todo o território nacional e apresenta níveis considerados excepcionais quando comparados aos registros históricos.
A combinação de calor extremo, falta de chuva e vegetação ressecada aumenta o risco de novos incêndios e pressiona os recursos hídricos.
Mudanças climáticas agravam condições extremas
Para os meteorologistas, o recorde registrado durante o verão de 2026 reforça a tendência de aumento das temperaturas associada às mudanças climáticas.
Embora fatores naturais também influenciem o comportamento do clima, o aquecimento provocado pela ação humana contribui para tornar ondas de calor mais frequentes e intensas.
Diante dos eventos extremos registrados neste verão, as autoridades francesas enfrentam o desafio de lidar simultaneamente com os impactos do calor, dos incêndios e da seca.
“O verão de 2026 tem sido — e continua sendo — desafiador”, afirmou a ministra Monique Barbut.





