Um acordo firmado entre os Estados Unidos e o governo interino da Venezuela permitirá que os norte-americanos comprem parte da produção de petróleo venezuelano a preço de custo. O pacto envolve 17 campos petrolíferos, reservas estimadas em 65 bilhões de barris e investimentos previstos de cerca de US$ 100 bilhões.
Segundo os termos divulgados pela Casa Branca, a operação será conduzida pela empresa North American Blue Energy Partners (Nabep), controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt. A companhia ficará responsável pelo desenvolvimento dos campos e pela recuperação da infraestrutura petrolífera do país.
Participação dos EUA
O acordo prevê que os Estados Unidos tenham participação de 35% na empresa controladora da Nabep, além de direito de veto em decisões relacionadas à composição do conselho da companhia.
Washington também poderá adquirir 20% de toda a produção dos campos a preço de custo. Para o restante do petróleo produzido, o governo norte-americano terá preferência na compra por meio de um mecanismo de direito de primeira recusa.
De acordo com a Casa Branca, parte desse petróleo poderá ser destinada à Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos e ao abastecimento das Forças Armadas.
Concessões de longo prazo
Um dos pontos mais debatidos do acordo é a duração das concessões. Os documentos divulgados pelos Estados Unidos indicam concessões válidas por 100 anos para exploração dos campos.
Já a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o acordo de exploração e produção terá duração de 25 anos, gerando divergências sobre os termos da parceria.
Os 17 campos incluídos no pacto concentram aproximadamente um quinto das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela.
Recuperação da indústria petrolífera
O governo dos Estados Unidos afirma que o objetivo é revitalizar a produção venezuelana, que sofreu forte queda nas últimas décadas devido à falta de investimentos, deterioração da infraestrutura e sanções internacionais.
Apesar das expectativas, especialistas apontam que a recuperação da indústria deve ser gradual, já que grande parte do petróleo venezuelano é do tipo pesado, exigindo investimentos elevados em extração, transporte e refino.
Receitas para a Venezuela
O governo venezuelano estima que a parceria poderá gerar mais de US$ 209 bilhões em receitas tributárias ao longo de 25 anos.
Segundo Delcy Rodríguez, cerca de US$ 19 por barril produzido poderão ser destinados diretamente aos cofres públicos do país.
Críticas e questionamentos
O acordo também tem sido alvo de críticas de setores da oposição venezuelana e de analistas políticos, que questionam a legalidade da negociação, a participação norte-americana na gestão da empresa e os impactos sobre a soberania do país.
Além disso, permanecem dúvidas sobre a duração real das concessões e sobre a capacidade de execução dos investimentos anunciados, considerados essenciais para recuperar uma das maiores reservas de petróleo do mundo.





