A União Europeia anunciou a suspensão temporária das importações de carne bovina, carne de aves, ovos e mel produzidos no Brasil. A medida passa a valer nesta quinta-feira (3) e foi adotada após o país ser retirado da lista de nações consideradas em conformidade com as regras europeias sobre o uso de antibióticos na pecuária.
Segundo o bloco europeu, a restrição está relacionada às normas sanitárias que proíbem o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento animal e restringem a utilização de medicamentos considerados essenciais para a medicina humana.
A duração da suspensão varia conforme o setor produtivo. Há expectativa de que as exportações de aves e mel possam ser retomadas mais rapidamente, dependendo do resultado de uma auditoria internacional em andamento. Já a liberação das exportações de carne bovina deve demandar um prazo maior.
Impacto no agronegócio
A decisão atinge um dos mercados mais importantes para o agronegócio brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou mais de 92 mil toneladas de carne bovina para os países da União Europeia, movimentando cerca de € 713 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 4,3 bilhões.
As restrições fazem parte da estratégia europeia de combate à resistência antimicrobiana, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais ameaças à saúde pública global. Segundo a entidade, infecções causadas por bactérias resistentes a medicamentos são responsáveis por mais de um milhão de mortes por ano em todo o mundo.
Negociações continuam
Apesar da suspensão, a Comissão Europeia informou que mantém diálogo com o governo brasileiro para buscar a adequação das cadeias produtivas às exigências sanitárias do bloco.
A auditoria internacional voltada aos setores de aves e mel deve ser concluída nesta sexta-feira (4). Caso os relatórios técnicos apontem conformidade com as normas europeias, as exportações desses produtos poderão ser retomadas nas próximas semanas.
Para o setor bovino, no entanto, o processo de regularização tende a ser mais demorado devido às exigências relacionadas ao ciclo de produção e manejo dos animais.
Reflexos no acordo Mercosul-União Europeia
A medida ocorre em um momento sensível para as relações comerciais entre os dois blocos, poucos meses após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
O tratado enfrenta resistência de produtores rurais europeus e de governos como o da França, que defendem maior rigor na fiscalização de padrões sanitários e ambientais para produtos importados.





