Antonelli tenta quebrar jejum de 60 anos de vitórias italianas no GP da Itália

Kimi Antonelli chega ao GP da Itália de Fórmula 1, neste fim de semana, com uma missão especial: encerrar um jejum de seis décadas sem vitórias de pilotos italianos na tradicional corrida de Monza.

Líder do campeonato aos 20 anos, Antonelli terá a oportunidade de conquistar diante da torcida de seu país uma vitória que os italianos não comemoram desde 1966, quando Ludovico Scarfiotti venceu a prova pela Ferrari.

Jejum começou após era de ouro

A Itália teve protagonismo nos primeiros anos da Fórmula 1. Dos quatro primeiros campeonatos da história da categoria, três foram conquistados por pilotos italianos.

Giuseppe Farina foi o primeiro campeão mundial, em 1950, enquanto Alberto Ascari venceu os títulos de 1952 e 1953. Os dois também triunfaram no GP da Itália: Farina venceu em 1950, e Ascari foi o vencedor em 1951 e 1952.

A última vitória de um italiano em Monza, porém, aconteceu em 1966, com Ludovico Scarfiotti.

Naquele ano, o piloto largou da segunda posição do grid e, depois de uma corrida marcada por diversos abandonos, assumiu a liderança na 13ª volta. Scarfiotti manteve a ponta até a bandeirada e conquistou a única vitória de sua carreira na Fórmula 1, garantindo ainda uma dobradinha da Ferrari.

O triunfo também foi o único pódio de Scarfiotti na categoria. Ele disputou apenas dez corridas na F1 e morreu em 1968, aos 34 anos, após sofrer um acidente com um Porsche 910 durante uma prova de montanha nos Alpes alemães.

Outros italianos tentaram, mas não conseguiram

Depois de Scarfiotti, diversos pilotos italianos venceram corridas de Fórmula 1, entre eles Riccardo Patrese, Michele Alboreto, Giancarlo Fisichella e Elio de Angelis.

Nenhum deles, entretanto, conseguiu repetir o feito de Scarfiotti no GP da Itália.

Patrese e De Angelis chegaram a vencer no circuito de Ímola. A pista, porém, só recebeu o nome de GP da Itália em 1980, quando Nelson Piquet venceu. Na maior parte das ocasiões, as corridas realizadas no local foram disputadas como GP de San Marino.

Antonelli chega em grande fase

A ascensão de Antonelli abre uma nova possibilidade para os italianos. No ano passado, o piloto nascido em Bolonha disputou seu primeiro GP da Itália como novato e terminou em nono lugar.

Agora, o cenário é completamente diferente.

Antonelli chega a Monza como líder do Mundial e dono de uma temporada de destaque. O piloto da Mercedes esteve no pódio em dez das 12 corridas disputadas em 2026 e venceu seis provas, sendo cinco delas consecutivas.

Com 59 pontos de vantagem sobre George Russell e Lewis Hamilton, o italiano vive seu melhor momento na categoria.

Punição pode dificultar busca pela vitória

Apesar da grande fase, Antonelli não chega a Monza como favorito absoluto. A Mercedes escolheu justamente o GP da Itália para realizar uma nova troca do motor do carro do piloto.

Cada carro possui um limite de trocas de componentes da unidade de potência durante a temporada sem sofrer punições. Problemas de confiabilidade enfrentados pela Mercedes no início do campeonato fizeram Antonelli atingir esse limite rapidamente.

Por isso, a nova troca resultará em uma punição de pelo menos dez posições no grid de largada.

Com a penalidade, o italiano terá de fazer uma corrida de recuperação para tentar vencer em casa e colocar fim ao longo jejum.

A Mercedes, no entanto, considera Monza um dos melhores circuitos para cumprir a punição, devido às longas retas e aos diversos pontos de ultrapassagem. Antonelli também acredita que ainda terá condições de buscar um bom resultado.

“Obviamente, chegando a Monza nós temos uma penalidade por causa do motor, mas eu ainda acho que é a melhor pista para sofrer a punição. É claro, é a minha corrida em casa, mas é a melhor corrida para fazer isso. Eu acho que ainda vou ter uma chance de conseguir um grande resultado e obter bons pontos”, afirmou o piloto.

Antonelli chegou à Fórmula 1 para substituir Lewis Hamilton na Mercedes e, em Monza, terá justamente o britânico como um dos principais concorrentes. Hamilton agora corre pela Ferrari, equipe que representa uma das maiores paixões da torcida italiana.

A expectativa é de um domingo de muita pressão e emoção no tradicional circuito de Monza, com Antonelli tentando escrever seu nome na história do automobilismo italiano.

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