Líderes militares dos Estados Unidos alertaram o secretário de Defesa, Pete Hegseth, que a manutenção de operações militares em larga escala contra o Irã pode se tornar insustentável e comprometer a prontidão das Forças Armadas americanas em outras regiões do mundo.
A informação consta em documentos confidenciais obtidos pelo jornal The Washington Post. Segundo a apuração, comandantes de diferentes áreas manifestaram formalmente preocupação com a extensão do deslocamento de tropas, navios e aeronaves para o Oriente Médio.
Os comandantes dos Comandos Europeu (EUCOM), do Pacífico (PACOM) e do Sul (SOUTHCOM), além do principal almirante da Marinha dos Estados Unidos, teriam se manifestado contra a continuidade do atual nível de mobilização. Apesar das ressalvas, os militares afirmaram que cumpririam a determinação.
Marinha é uma das mais afetadas
A Marinha americana estaria entre as forças mais pressionadas pela operação, principalmente devido ao bloqueio dos portos iranianos.
O almirante Daryl Caudle alertou Hegseth que apenas cerca de um quarto da frota de destróieres dos Estados Unidos estaria pronta para ser mobilizada, uma redução significativa em relação aos níveis registrados antes do início do conflito.
A operação também provocou mudanças na disposição das forças americanas no Pacífico. O USS George Washington, único porta-aviões dedicado à missão de dissuasão contra a China na região, precisou ser deslocado para o Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln, que está em operação há mais de 300 dias.
Estoques de armas estão sob pressão
O conflito, que já dura seis meses, também teria provocado uma redução significativa nos estoques de munições consideradas essenciais para as operações.
Entre os equipamentos afetados estão interceptadores dos sistemas de defesa aérea Patriot e THAAD, mísseis de longo alcance Tomahawk e drones MQ-9 Reaper.
Segundo os documentos citados na reportagem, aproximadamente 25% da frota de drones Reaper do Pentágono teria sido perdida. O conflito também teria provocado bilhões de dólares em danos estruturais a bases militares americanas.
A redução dos estoques e dos equipamentos disponíveis limita a capacidade dos Estados Unidos de ampliar novamente a intensidade das operações caso seja necessário.
Forças deslocadas de outras regiões
Para reforçar o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas operações no Oriente Médio, Washington vem deslocando navios, sistemas de defesa aérea e aeronaves de monitoramento que anteriormente estavam destinados a outras regiões.
A movimentação reduziu a capacidade americana de defesa interna e também afetou atividades de treinamento.
Militares do Comando Europeu alertaram que há escassez de forças navais suficientes para proteger Israel e o próprio território americano contra possíveis ataques de mísseis.
Ao mesmo tempo, aliados dos Estados Unidos na Ásia demonstram preocupação com a possibilidade de o desgaste dos estoques militares aumentar sua vulnerabilidade diante da China.
Missões podem ser prolongadas até 2027
Embora os comandos do Exército e da Força Aérea tenham concordado com as diretrizes da operação, também foram apontados riscos significativos decorrentes da manutenção do atual nível de mobilização.
Cerca de 2 mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada terão suas missões estendidas para um período de até um ano. Além disso, unidades responsáveis pelos sistemas Patriot e esquadrões de bombardeiros da Força Aérea deverão permanecer no Oriente Médio até 2027.
O cenário evidencia uma crescente tensão entre os objetivos estratégicos do governo de Donald Trump e a capacidade logística das Forças Armadas dos Estados Unidos de sustentar uma operação prolongada contra o Irã sem comprometer outras prioridades militares.





