A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu que a morte da fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, de 29 anos, foi resultado de um acidente durante uma trilha no complexo de ecoturismo Salto das Orquídeas, em Sapopema, no norte do Paraná. O resultado do inquérito foi divulgado nesta quinta-feira (27), cerca de um mês após o caso que mobilizou equipes de resgate e comoveu familiares no Acre.
Ana Paula era sobrinha do professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Marcos Silveira, que chegou a prestar uma homenagem pública à fotógrafa após a localização do corpo. Na ocasião, ele destacou a paixão da sobrinha pela natureza, fotografia e aventuras, afirmando que ela partiu “fazendo aquilo que tanto gostava”.
A jovem desapareceu no dia 25 de julho enquanto percorria uma trilha acompanhada da amiga Ana Carolyne Camilo. As duas decidiram seguir até um mirante e tentaram atravessar um rio utilizando cordas de apoio. Segundo a investigação, o volume de água estava elevado devido às chuvas registradas na região.
Durante a travessia, Ana Paula perdeu o equilíbrio, ficou pendurada em uma corda e acabou sendo arrastada pela correnteza, caindo de uma cachoeira com cerca de 45 metros de altura. A amiga tentou ajudá-la, mas também caiu na água. Ana Carolyne sobreviveu, foi resgatada no dia seguinte e sofreu ferimentos, incluindo uma fratura na coluna.
As buscas pela fotógrafa mobilizaram bombeiros, voluntários, drones e aeronaves. O corpo foi localizado cinco dias depois, próximo ao poço de uma das cachoeiras do complexo.
De acordo com a Polícia Civil, a conclusão do inquérito se baseou em depoimentos de testemunhas, laudos periciais, exames no local da ocorrência e análise de dispositivos eletrônicos. O laudo da Polícia Científica confirmou que a causa da morte foi asfixia mecânica por afogamento.
A investigação também apontou que Ana Paula e a amiga haviam assinado um termo de responsabilidade antes de iniciar o passeio e receberam orientações para não realizar a travessia do rio. Mesmo assim, decidiram seguir pelo trecho onde ocorreu o acidente.
A PCPR informou que não encontrou indícios de participação de terceiros e encaminhou o inquérito à Justiça com sugestão de arquivamento.
Após a tragédia, o professor Marcos Silveira defendeu melhorias na segurança de atividades de ecoturismo, como reforço na sinalização de áreas de risco, revisão de trilhas e atualização de protocolos para evitar novos acidentes. Em sua homenagem, ele afirmou que a história da sobrinha não pode ser resumida à forma como morreu.
“A sua história jamais poderá ser resumida à forma como você partiu, pois você é infinitamente maior do que o acidente que te levou”, escreveu.





