Estudo aponta baixo controle do desmatamento em frigoríficos que atuam na Amazônia Legal

Um levantamento do projeto Radar Verde, desenvolvido pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), aponta que frigoríficos habilitados a exportar carne bovina da Amazônia Legal apresentam baixo nível de controle sobre os riscos de desmatamento em suas cadeias de fornecimento. O estudo inclui áreas do Acre e analisou os principais mercados compradores da carne brasileira.

A pesquisa avaliou frigoríficos autorizados a exportar para a União Europeia, China, Estados Unidos e países do Oriente Médio e Norte da África. Segundo o relatório, as áreas de compra de gado dessas empresas alcançam regiões com risco de desmatamento, incluindo parte do território acreano.

Fornecedores indiretos são principal desafio

De acordo com o estudo, embora parte dos frigoríficos apresente mecanismos de monitoramento sobre fornecedores diretos, não foram encontradas evidências de controle efetivo sobre fornecedores indiretos — propriedades pelas quais os animais passam antes de chegarem aos frigoríficos.

Entre os frigoríficos habilitados a exportar para a União Europeia, 80% demonstram algum tipo de controle sobre fornecedores diretos. No entanto, 87% foram classificados com baixo controle de desmatamento e 13% com controle muito baixo.

Exigências internacionais aumentam

O levantamento destaca que a China continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo cerca de metade das exportações do setor. Já os Estados Unidos registraram importação recorde de 271,8 mil toneladas em 2025.

Nos dois mercados, assim como na União Europeia, cresce a exigência por sistemas de rastreabilidade capazes de identificar a origem dos animais e garantir que a produção não esteja associada ao desmatamento.

Transparência na cadeia produtiva

Segundo o Radar Verde, os mercados internacionais têm exigido cada vez mais transparência e monitoramento de toda a cadeia pecuária, incluindo fornecedores indiretos.

O estudo conclui que apenas fiscalizar fornecedores diretos não é suficiente para reduzir os riscos ambientais. A recomendação é ampliar os sistemas de rastreabilidade e adotar mecanismos mais rigorosos de controle para garantir a origem sustentável da produção de carne bovina destinada à exportação.

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