O Brasil apresentou melhora em 71% dos 48 indicadores de desigualdade analisados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades em 2026. O levantamento aponta avanços em áreas como desmatamento, emprego, redução da pobreza, segurança alimentar, educação e redução de homicídios entre jovens.
Apesar dos resultados positivos, o estudo também mostra que a concentração de renda continua elevada e aumentou no período analisado. Outros 13% dos indicadores permaneceram estáveis, enquanto 16% apresentaram piora.
Entre os principais retrocessos está o aumento da população exposta a áreas de risco geológico e climático, além da elevação da mortalidade materna e da concentração de renda.
Desmatamento e emissões apresentam queda
O levantamento aponta uma redução expressiva do desmatamento no país. A área desmatada, que chegou a 2,1 milhões de hectares em 2022, caiu para 984,8 mil hectares em 2025, uma redução de 53,4% em relação ao pico da série histórica, segundo dados do MapBiomas.
Também houve redução nas emissões de gases de efeito estufa provocadas pelo uso da terra e das florestas. Entre 2023 e 2024, o volume caiu 32,5%, passando de 1,34 bilhão para 905,6 milhões de toneladas de CO₂, de acordo com dados do Observatório do Clima.
Insegurança alimentar diminui
A proporção de brasileiros vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024.
A redução foi ainda mais significativa entre a população negra. Entre homens negros, o índice caiu de 12,2% para 9,7%, enquanto entre mulheres negras passou de 12,5% para 10%, conforme dados do IBGE.
Homicídios entre jovens também recuam
O número de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos caiu de 49,7 para 41,9 casos por 100 mil habitantes entre 2021 e 2024, uma redução de 15,7%.
O levantamento também aponta melhora no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. Entre as mulheres, a redução foi de 8,1% para 6,9%.
Apesar da melhora, as desigualdades raciais permanecem evidentes. O desemprego entre mulheres negras chegou a 8,5%, enquanto entre homens não negros ficou em 3,8%.
População em áreas de risco aumenta
Um dos principais pontos negativos identificados pelo estudo foi o crescimento da população vivendo em áreas sujeitas a deslizamentos e outros desastres climáticos.
Em 2025, eram 4,36 milhões de pessoas nessas condições. Em 2026, o número chegou a 4,67 milhões, um aumento de 7%, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
O levantamento indica ainda que houve expansão das próprias áreas consideradas de risco, e não apenas aumento da população em locais que já apresentavam perigo. Atualmente, o país possui cerca de 17 mil áreas de risco geológico, muitas delas ocupadas por pessoas em situação de vulnerabilidade.
Mortalidade materna volta a subir
Outro indicador que apresentou piora foi a mortalidade materna. Depois de uma redução no período pós-pandemia, o índice passou de 52,2 mortes a cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024.
Roraima apresentou o cenário mais grave, com 132,3 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos, segundo dados do Ministério da Saúde.
Renda cresce, mas desigualdade aumenta
O rendimento médio mensal dos brasileiros cresceu 5,3% entre 2024 e 2025, chegando a R$ 3.376.
O crescimento, porém, não ocorreu de forma uniforme. O rendimento médio do 1% mais rico da população era 30,2 vezes superior ao dos 50% mais pobres em 2024. Em 2025, essa diferença aumentou para 31,5 vezes.
As mulheres negras continuam entre os grupos com os menores rendimentos médios do país. Em 2025, elas receberam, em média, R$ 2.184, e o crescimento de sua renda ficou abaixo da média nacional e também abaixo do avanço registrado entre homens não negros.
Indicadores permanecem estagnados
Entre os indicadores que não apresentaram mudanças significativas estão a escolarização no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação sobre a renda.
Os pesquisadores apontam que esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas mais consistentes para que os avanços sociais sejam acompanhados por uma redução efetiva das desigualdades.
O relatório conclui que o país conseguiu ampliar condições de vida, emprego, renda e acesso a direitos, mas ainda enfrenta dificuldades para reduzir diferenças relacionadas à renda, raça, gênero, moradia e território.





