O número de brasileiros que vivem em áreas classificadas como de alto risco geológico chegou a 4.679.655 em 2026, o maior patamar da série recente. O dado faz parte do relatório de 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, produzido pelo DIEESE e divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades.
Segundo informações do Serviço Geológico do Brasil, o total representa um aumento de 7% em relação a 2025, quando 4.365.530 pessoas estavam nessa condição.
A exposição ao risco geológico foi um dos seis indicadores que apresentaram piora entre os 48 acompanhados pelo estudo. No conjunto da pesquisa, 71% dos indicadores melhoraram, seis pioraram e cinco permaneceram estáveis.
Expansão de novas áreas preocupa
De acordo com o relatório, o crescimento da população exposta não ocorreu principalmente porque mais pessoas passaram a ocupar áreas de risco que já haviam sido identificadas. O aumento está relacionado à expansão do número de áreas classificadas como de risco geológico.
O Brasil possui atualmente cerca de 17 mil áreas de risco geológico, a maioria ocupada por famílias que não têm acesso a condições adequadas de moradia.
Para os pesquisadores, o cenário evidencia fragilidades nas políticas públicas destinadas à prevenção e ao enfrentamento de desastres, além de ampliar a vulnerabilidade da população diante dos efeitos das mudanças climáticas.
Sudeste concentra maior número de pessoas
O Sudeste concentra o maior contingente de moradores expostos a áreas de risco geológico, com 1.456.735 pessoas, aproximadamente 31% do total nacional.
Na sequência aparecem:
- Sul: 1.225.741 pessoas;
- Nordeste: 1.027.594;
- Norte: 920.020;
- Centro-Oeste: 49.565.
O número registrado no Centro-Oeste é significativamente inferior ao das demais regiões.
Outros indicadores ambientais apresentaram melhora
O aumento da exposição ao risco geológico ocorre em um cenário de melhora em outros indicadores ambientais acompanhados pelo relatório.
As emissões de gases de efeito estufa caíram 16,7% em 2024, enquanto a área desmatada recuou para 984,8 mil hectares em 2025, uma redução de 53,4% em comparação com o pico registrado em 2022.
O relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades está em sua quarta edição. A primeira publicação ocorreu em agosto de 2023, juntamente com a criação do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, iniciativa voltada ao acompanhamento da evolução das desigualdades sociais, econômicas e ambientais no Brasil.





