Acre tem 31,4% dos domicílios atendidos pelo Bolsa Família, quase o dobro da média nacional

Quase um em cada três domicílios do Acre recebe o Bolsa Família. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do IBGE, 31,4% das residências acreanas são beneficiadas pelo programa, percentual 14,2 pontos percentuais acima da média nacional, de 17,2%.

O índice coloca o Acre entre os estados com maior dependência da transferência de renda, refletindo um cenário marcado por elevada vulnerabilidade social e dificuldades históricas para geração de emprego e renda.

No ranking nacional, o Maranhão lidera com 39,8% dos domicílios atendidos, seguido por Pará (38,6%), Piauí (38,4%), Amazonas (33,0%) e Alagoas (32,8%). O Acre aparece logo em seguida, com 31,4%.

Na outra ponta estão os estados com menor participação do programa. Santa Catarina registra o menor percentual do país, com apenas 3,9% dos domicílios beneficiados. Em seguida aparecem São Paulo (7,6%), Rio Grande do Sul (7,7%), Paraná (8,0%) e Mato Grosso do Sul (9,5%).

O contraste evidencia as diferenças econômicas entre as regiões brasileiras. Enquanto Sul e Sudeste concentram maior industrialização, renda mais elevada e um mercado de trabalho formal mais robusto, Norte e Nordeste apresentam maior informalidade, menor renda per capita e forte dependência de programas de transferência de renda.

No Acre, esse quadro é agravado por fatores estruturais, como a reduzida diversificação da economia, a baixa participação da indústria, as limitações logísticas e o alto custo de produção e transporte, que dificultam a atração de investimentos e a criação de empregos formais.

Especialistas destacam, entretanto, que o indicador mede a proporção de domicílios beneficiados e não o número absoluto de famílias. Estados mais populosos, como São Paulo, embora apresentem percentuais menores, concentram um volume elevado de beneficiários devido ao tamanho da população.

Os dados reforçam a importância do Bolsa Família como instrumento de proteção social no Acre, ao mesmo tempo em que evidenciam o desafio de ampliar a atividade econômica, estimular o emprego formal e reduzir a dependência de programas assistenciais.

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