O grupo armado Houthi, que controla parte do Iêmen, avalia criar um sistema de cobrança de taxas para embarcações que navegam pelo sul do Mar Vermelho e pelo Estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio mundial.
A informação foi divulgada pelo ministro da Informação do governo iemenita reconhecido internacionalmente, Moammar al-Eryani, que acusou o grupo de agir sob influência do Irã. Segundo ele, a proposta teria apoio de integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que estariam auxiliando na elaboração da estrutura técnica e administrativa do projeto.
De acordo com o ministro, informações de inteligência indicam que especialistas iranianos participariam da criação de uma entidade responsável por administrar a cobrança de pagamentos de empresas de transporte marítimo e navios comerciais que utilizam a região.
O possível sistema de taxas seria semelhante ao modelo adotado pelo Irã no Estreito de Ormuz, outra importante passagem marítima para o comércio internacional de petróleo e mercadorias.
Os Houthis controlam áreas estratégicas do Iêmen, incluindo regiões próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, desde 2015, quando o país mergulhou em uma guerra civil. A passagem marítima conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é considerada fundamental para o transporte global de energia e produtos.
Em julho, o grupo anunciou um bloqueio marítimo no Mar Vermelho, afirmando que a medida tinha como alvo apenas embarcações ligadas à Arábia Saudita. Os Houthis alegam que a ação seria uma resposta ao bloqueio aéreo imposto pelos sauditas contra áreas controladas pelo movimento no Iêmen.
A tensão entre os Houthis e a Arábia Saudita aumentou nos últimos meses após ataques contra embarcações e instalações petrolíferas sauditas, além de operações militares da coalizão liderada por Riad contra posições controladas pelo grupo no território iemenita.
Os Houthis fazem parte do chamado “Eixo da Resistência”, uma rede informal de grupos aliados ao Irã no Oriente Médio, que inclui organizações como o Hamas, na Palestina, e o Hezbollah, no Líbano.
A possibilidade de cobrança de taxas em uma das principais rotas marítimas do planeta aumenta a preocupação internacional sobre novos impactos no comércio global e sobre a expansão das tensões entre Irã, seus aliados regionais e países apoiados pelos Estados Unidos.





