Buscas por sobreviventes continuam após terremoto deixar mortos e destruição no sul do Japão

Equipes de resgate seguem mobilizadas no sul do Japão após um terremoto de magnitude 7,1 atingir a região de Kumamoto na terça-feira (28), deixando pelo menos 14 mortos, dezenas de feridos e milhares de pessoas afetadas. Mais de 4.500 militares foram enviados para reforçar as operações de busca por sobreviventes, remoção de escombros e assistência às comunidades atingidas.

Um dos locais mais afetados foi um shopping center próximo à cidade de Kumamoto, parcialmente destruído por uma explosão ocorrida pouco mais de uma hora após o tremor. Oito pessoas foram retiradas dos escombros, mas três não resistiram aos ferimentos. Outros três trabalhadores permanecem desaparecidos, segundo a operadora do empreendimento, que informou que todos os clientes haviam sido evacuados logo após o terremoto.

As autoridades japonesas investigam se a explosão foi provocada por um vazamento de gás. Equipes de resgate relataram forte odor de gás no interior do edifício, mas a causa do incidente ainda não foi confirmada pelo governo.

Em pronunciamento, a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que o país vive uma corrida contra o tempo para localizar vítimas. Segundo ela, todos os recursos disponíveis estão sendo mobilizados para ampliar as operações de resgate.

Além do shopping, o terremoto provocou graves danos em uma fábrica da Nippon Paper Industries, onde o desabamento de uma chaminé matou cinco trabalhadores e deixou outros feridos. Bombeiros, policiais e militares permanecem atuando na região.

As consequências do tremor também atingiram diversas cidades da província de Kumamoto. Prédios e pontes desabaram, estradas ficaram rachadas e deformadas, e cerca de 260 mil moradores foram orientados a buscar abrigo em centros de evacuação. A polícia informou ter recebido centenas de chamadas de emergência relacionadas a desmoronamentos e pedidos de socorro.

O epicentro foi localizado a aproximadamente 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, principal centro urbano da região de Kyushu. Desde o terremoto principal, mais de 100 tremores secundários foram registrados, mantendo as autoridades em alerta para novos abalos e possíveis deslizamentos de terra.

A infraestrutura também sofreu impactos significativos. Mais de 36 mil residências permanecem sem energia elétrica, enquanto diversos bairros enfrentam interrupções no abastecimento de água. Com temperaturas próximas de 34°C, autoridades alertam para o aumento do risco de doenças relacionadas ao calor entre a população afetada.

Hospitais da região operam sob forte pressão. Algumas unidades ficaram sem energia e passaram a funcionar em condições emergenciais, enquanto outras suspenderam novas internações devido ao elevado número de vítimas. O sistema ferroviário de alta velocidade também foi interrompido imediatamente após o tremor, deixando passageiros feridos.

Os reflexos do desastre alcançaram o setor industrial. Empresas como Renesas Electronics, Sony, Tokyo Electron e Honda interromperam temporariamente suas operações na região. A Toyota suspendeu atividades em três fábricas fora da província de Kumamoto por causa de problemas na cadeia de fornecedores, enquanto a fabricante de semicondutores TSMC retirou funcionários de sua unidade por precaução antes de retomar parcialmente a produção.

Situado no chamado “Anel de Fogo do Pacífico”, o Japão registra alguns dos terremotos mais intensos do planeta e responde por cerca de 20% dos sismos de magnitude igual ou superior a 6 registrados no mundo. A província de Kumamoto já havia sido devastada por um forte terremoto há dez anos, que deixou centenas de mortos e causou danos severos a edifícios históricos, incluindo o famoso Castelo de Kumamoto. O monumento voltou a sofrer avarias após o tremor desta semana, assim como templos e construções históricas da região.

As equipes de emergência continuam trabalhando nas áreas mais atingidas enquanto autoridades monitoram os tremores secundários e avaliam a extensão dos danos materiais e humanos provocados pelo desastre.

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