Relatório acusa serviço secreto britânico MI5 de mentir à Justiça para proteger informante neonazista

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Um relatório oficial divulgado no Reino Unido concluiu que o MI5, agência de inteligência e segurança interna do governo britânico, apresentou informações falsas a tribunais enquanto tentava preservar o sigilo sobre um informante neonazista acusado de violência contra a própria companheira.

A investigação foi conduzida por Sir John Goldring, vice-comissário do órgão responsável por fiscalizar as atividades de inteligência no país. O documento aponta falhas graves dentro do MI5 e acusa agentes de alto escalão de mentirem ou fornecerem informações enganosas durante processos judiciais.

O caso envolve um homem identificado apenas como “Agente X”, descrito como um extremista neonazista que colaborava com o serviço secreto britânico. Segundo o relatório, ele utilizou sua posição como informante para intimidar e controlar a então companheira, chegando a atacá-la com um facão.

Durante ações na Justiça, o MI5 alegou ter seguido sua política de sigilo, que impede confirmar ou negar oficialmente a identidade de agentes e informantes. Com base nessa argumentação, os tribunais restringiram o acesso a informações importantes sobre o caso.

No entanto, a investigação concluiu que integrantes do próprio MI5 já haviam revelado anteriormente a condição de informante do homem a um jornalista da BBC, contrariando a versão apresentada aos juízes.

O relatório afirma que um dos altos funcionários da agência forneceu relatos falsos que serviram de base para as declarações entregues à Justiça. Outro agente também teria enganado colegas e contribuído para que a versão incorreta fosse mantida durante anos.

As conclusões reforçam denúncias feitas pela BBC, que revelou em 2025 que o serviço secreto britânico havia apresentado informações inconsistentes sobre o caso. Após a divulgação das evidências, a direção do MI5 reconheceu erros e pediu desculpas aos tribunais.

O diretor-geral da agência, Sir Ken McCallum, afirmou que o MI5 reconhece a gravidade das falhas identificadas. Já o governo britânico anunciou medidas para ampliar a fiscalização sobre as atividades do órgão.

Agora, juízes da Alta Corte do Reino Unido irão analisar se integrantes do MI5 ou a própria instituição poderão responder por desacato à Justiça. O relatório também abre caminho para uma possível investigação criminal.

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