Calor extremo pode ter causado mais de 2,7 mil mortes na Inglaterra e no País de Gales, apontam pesquisadores

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Mais de 2.700 pessoas podem ter morrido por causas relacionadas ao calor durante as ondas de calor registradas entre maio e junho de 2026 na Inglaterra e no País de Gales, segundo estimativas de pesquisadores do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

O estudo indica que cerca de 550 mortes ocorreram entre 21 e 29 de maio, enquanto aproximadamente 2.200 foram registradas entre 18 e 28 de junho, período que concentrou a maior parte dos impactos do calor extremo.

Junho de 2026 foi o mês de junho mais quente já registrado na Inglaterra. A temperatura atingiu 37,7°C em Lingwood, no condado de Norfolk, superando o recorde anterior de 35,6°C estabelecido em 1957.

Já em maio, os termômetros chegaram a 35,1°C em Kew Gardens, em Londres, estabelecendo um novo recorde para o mês no Reino Unido e superando a marca de 32,8°C registrada em 1922 e igualada em 1944.

Diante das condições extremas, autoridades emitiram um raro alerta vermelho de calor para partes da Inglaterra e do País de Gales, indicando risco significativo à vida, inclusive para pessoas saudáveis.

Segundo os pesquisadores, ambas as ondas de calor foram provocadas por um fenômeno conhecido como “domo de calor”, quando uma área de alta pressão permanece estacionada e aprisiona o ar quente sobre determinada região por vários dias.

Os cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pela atividade humana intensificaram o fenômeno. O aquecimento global já elevou a temperatura média do planeta em cerca de 1,4°C desde a era pré-industrial e teria acrescentado entre 3°C e 4°C aos picos registrados durante os eventos.

Outro fator agravante foram as chamadas noites tropicais, quando as temperaturas permanecem elevadas durante a madrugada, dificultando a recuperação do organismo após os períodos mais quentes do dia.

Especialistas alertam que o calor intenso representa uma ameaça significativa à saúde, especialmente para idosos, bebês e pessoas com doenças preexistentes. A exposição prolongada pode aumentar o risco de desidratação, infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e outras emergências médicas potencialmente fatais.

Por ser frequentemente subestimado, o calor extremo é considerado um “assassino silencioso”. Muitos dos sintomas iniciais podem passar despercebidos, enquanto a alta umidade dificulta a capacidade do corpo de resfriar-se por meio da transpiração.

A pesquisadora Fredi Otto, especialista em ciência climática do Imperial College London, alertou que mesmo pessoas jovens e saudáveis não estão imunes aos riscos provocados pelas temperaturas extremas.

O estudo utiliza registros históricos de mortalidade para estimar os impactos das ondas de calor e ainda depende da confirmação dos dados oficiais. Apesar disso, os pesquisadores destacam que os números servem como alerta para os efeitos crescentes dos eventos climáticos extremos.

Os cientistas também afirmam que, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem elevadas, as ondas de calor deverão se tornar mais frequentes, mais intensas e mais duradouras nas próximas décadas, aumentando os riscos à saúde pública em diversas regiões da Europa.

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