O governo do Reino Unido anunciou nesta segunda-feira (13) que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) passará a ser oficialmente tratada como uma ameaça à segurança nacional. A medida permitirá que autoridades britânicas criminalizem qualquer tipo de apoio ao grupo, com penas que podem chegar a 14 anos de prisão.
A decisão foi anunciada pela ministra do Interior, Shabana Mahmood, que utilizou novos poderes concedidos pela legislação de segurança nacional para enquadrar a organização. Segundo o governo britânico, expressar apoio, promover atividades ou prestar assistência à Guarda Revolucionária poderá resultar em processo criminal.
Além da IRGC, outras duas organizações também foram incluídas na nova lista: o Movimento Islâmico dos Companheiros da Direita (IMCR) e um corpo voluntário ligado à agência de inteligência militar russa GRU.
As autoridades afirmam que os novos mecanismos legais fortalecerão a atuação da polícia e dos serviços de inteligência contra espionagem, interferência estrangeira, sabotagem e ataques físicos realizados em território britânico.
De acordo com informações divulgadas pelo governo, a Guarda Revolucionária teria ligação com sete ataques direcionados a locais associados às comunidades judaica e israelense no Reino Unido. Entre os episódios citados está um ataque incendiário contra quatro ambulâncias da organização Hatzola, ocorrido em março deste ano, em Golders Green, bairro de Londres.
O primeiro-ministro Keir Starmer declarou que o país não permitirá que governos estrangeiros utilizem o território britânico para promover intimidação, violência ou divisão social. Segundo ele, as novas medidas facilitarão a responsabilização de indivíduos que atuem em nome de Estados considerados hostis.
Caso o Parlamento aprove definitivamente a proposta nos próximos dias, pessoas envolvidas em atos de sabotagem, incluindo incêndios criminosos praticados em nome desses grupos, poderão enfrentar penas de prisão perpétua.
O governo britânico também informou que a mudança reduzirá a necessidade de comprovar, em cada investigação, a ligação direta dos suspeitos com governos estrangeiros, tornando mais simples a apresentação de denúncias e processos judiciais.
Segundo o serviço de inteligência MI5, pelo menos 20 supostos planos apoiados pelo Irã e considerados potencialmente letais foram identificados no Reino Unido no último ano. As autoridades afirmam que a Guarda Revolucionária desempenha papel central nas operações externas do Estado iraniano, incluindo ações direcionadas contra dissidentes e comunidades judaicas.
Criada após a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda Revolucionária é uma das principais instituições militares do Irã e responde diretamente ao líder supremo do país. Estimativas apontam que a força possui cerca de 190 mil integrantes ativos.
A organização já é classificada como grupo terrorista por países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. Em janeiro deste ano, a União Europeia também incluiu a Guarda Revolucionária em sua lista de organizações terroristas, citando seu envolvimento em repressões violentas contra manifestantes iranianos.






