Trump promete “retomar conflito” se Irã matar soldados americanos

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu a perguntas de jornalistas nesta quinta-feira (4) sobre a guerra com o Irã, em meio a mensagens contraditórias de autoridades iranianas e norte-americanas sobre o status do cessar-fogo entre os dois países. No mesmo dia, Israel e o Hezbollah trocaram disparos logo no primeiro dia do acordo de trégua firmado entre o governo libanês e Israel.

Questionado se a morte de soldados americanos pelo Irã cruzaria uma linha vermelha, Trump afirmou que seria razão suficiente para retomar rapidamente o conflito. “Bem, seria um bom motivo. Vou ser honesto com você”, disse o presidente ao responder a perguntas no Salão Oval.

“Se eles matassem soldados americanos, acho que eu faria isso muito rapidamente. Sim, essa é uma pergunta muito interessante.”

As declarações ocorrem em um momento de sinais divergentes nas negociações. Trump havia insistido na véspera que um acordo poderia ser alcançado “neste fim de semana”, mas o chanceler iraniano afirmou não ter havido nenhum “processo significativo”.

Aberto a encontrar o novo líder supremo

Trump disse que estaria disposto a se reunir com o novo líder supremo do Irã caso haja um acordo para encerrar a guerra.

“Eu não quero me reunir. Mas, se eu me reunisse, ficaria honrado em encontrá-lo. Gostaria de ver se fazemos um acordo, mas, se fizermos um acordo, é possível que eu me reúna com ele. Eu ficaria bem com isso”, afirmou a repórteres no Salão Oval.

Questionado se esse encontro poderia acontecer nos Estados Unidos, Trump respondeu: “Não ouvi muito sobre isso. Eu não sugeri, mas algumas pessoas sugeriram.”

O presidente falou sobre uma eventual reunião com o líder supremo do Irã: “Eu diria que não sou a pessoa favorita dele, mas, dito isso, ele provavelmente é um profissional”, afirmou, acrescentando que “em alguns círculos ele tem uma reputação muito boa, na verdade”.

Programa nuclear e preços dos combustíveis

Trump reforçou que o Irã não pode ter armamento nuclear. “Se você quiser chamar de guerra, se quiser chamar de operação militar, não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear, e todos concordam com isso”, disse no Salão Oval.

O secretário de Energia, Chris Wright, que estava com Trump no gabinete presidencial na Casa Branca, buscou afastar as críticas pela alta nos preços dos combustíveis, atribuindo-a mais às políticas dos democratas do que à guerra.

“A maior ameaça aos preços de energia nos Estados Unidos são as políticas de energia verde dos democratas”, afirmou. “Elas elevaram os preços de energia muito mais do que um conflito no Irã, e o conflito no Irã vai chegar ao fim.”

O ataque levou o regime iraniano a fechar, na prática, o Estreito de Ormuz, cortando o acesso a uma parcela significativa do fornecimento mundial de petróleo.

Líbano: cessar-fogo registra mortes

Um soldado israelense foi morto por um míssil antitanque do Hezbollah no sul do Líbano na tarde desta quinta-feira (4), segundo o Exército de Israel.

Mesmo assim, Trump afirmou que “houve progresso” para encerrar os combates no Líbano, depois que o líder do grupo Hezbollah rejeitou o acordo de cessar-fogo firmado entre o governo libanês e Israel. Segundo o presidente, o Hezbollah “ligou para nós e disse: ‘Que tal parar?'”.

Trump disse ainda ter tratado do assunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o Hezbollah.

As forças israelenses e os combatentes do Hezbollah, no entanto, dispararam apenas algumas horas depois de Israel e Líbano concordarem em implementar o cessar-fogo.

A trégua depende do fim dos ataques do Hezbollah, conforme comunicado divulgado na quarta-feira após a mais recente rodada de negociações mediadas pelos EUA.

O Hezbollah não faz parte do acordo, e o líder do grupo, apoiado pelo Irã, rejeitou o pacto.

O conflito está “interconectado com o Irã”, disse Trump. “Seria muito bom se o Líbano pudesse ter alguma paz. O Líbano está sob ataque há tantos anos, sempre como o lado mais fraco, seria muito bom se isso pudesse acabar”, afirmou.

Congresso impõe revés a Trump

A Câmara dos Representantes aprovou na quarta-feira uma resolução para limitar os poderes de guerra de Trump no Irã, um revés significativo ao presidente e à sua condução do conflito.

Nesta quinta-feira, porém, a Câmara rejeitou, por 92 votos a 324, uma resolução de poderes de guerra sobre o Líbano apresentada pelos democratas. O texto, de autoria da deputada progressista Rashida Tlaib, determinaria que o presidente retirasse as forças armadas dos EUA do país em até sete dias após a adoção da medida.

Líderes democratas na Câmara haviam anunciado mais cedo que se oporiam à resolução, observando que “não há militares dos EUA envolvidos em operações de combate ou hostilidades no Líbano”.

Eles manifestaram preferência por uma medida diferente e mais específica, também apresentada por Tlaib, que retiraria as tropas americanas de “quaisquer hostilidades no Líbano” e estabelece que o texto não pode ser interpretado de modo a impedir ou limitar a cooperação de segurança com as Forças Armadas libanesas ou a proteção de instalações diplomáticas.

Departamento de Estado pede cautela

O Departamento de Estado dos EUA lembrou os americanos em todo o Oriente Médio “da contínua necessidade de cautela”, diante das tensões persistentes na região.

O alerta foi publicado na quinta-feira no X e em comunicados de segurança de embaixadas americanas regionais, num momento em que EUA e Irã seguem trocando ataques, mesmo após o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmar que a guerra “acabou”. Ataques iranianos contra o Kuwait na quarta-feira feriram dezenas de pessoas e mataram uma.

O comunicado afirma que, “devido às altas tensões na região, o ambiente de segurança permanece complexo e pode mudar rapidamente”, e incentiva os cidadãos americanos “a acompanhar as notícias para novos desdobramentos”. Segundo o texto, os alertas de viagem para Bahrein, Israel, Cisjordânia, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos seguem no Nível 3 – Reconsiderar Viagem, enquanto Irã, Iraque, Líbano, Síria, Gaza e Iêmen permanecem no Nível 4 – Não Viaje.

Por: CNN

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