Organização criminosa estaria intimidado mulheres e impedido uso do botão do pânico para evitar presença da polícia em áreas de tráfico

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O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) abriu uma investigação para apurar denúncias de que integrantes de uma organização criminosa estariam interferindo diretamente na proteção de mulheres vítimas de violência doméstica em Sena Madureira.

Segundo informações que chegaram à Promotoria de Justiça, mulheres beneficiadas por medidas protetivas estariam sendo desencorajadas ou até impedidas de utilizar o chamado “botão do pânico”, dispositivo criado para acionar rapidamente as forças de segurança em situações de emergência.

A suspeita é de que a restrição tenha como objetivo reduzir a circulação de viaturas policiais em determinadas áreas da cidade consideradas de influência de uma organização criminosa. Caso confirmada, a situação revelaria uma tentativa de impedir a atuação do Estado e comprometer mecanismos criados para proteger mulheres em situação de risco.

A apuração foi formalizada por meio de portaria publicada pelo MPAC, que pretende reunir informações junto aos órgãos de segurança pública e instituições responsáveis pelo atendimento às vítimas para verificar a veracidade das denúncias.

O caso é tratado com preocupação pelas autoridades. Além da violência doméstica enfrentada por muitas mulheres, a suposta atuação da organização criminosa representaria uma nova camada de intimidação, dificultando o acesso das vítimas aos instrumentos de proteção garantidos pela Justiça.

Outro dado que chamou a atenção do Ministério Público é o fato de que atualmente nenhuma mulher em Sena Madureira estaria utilizando o sistema de monitoramento por botão do pânico, apesar da disponibilidade da ferramenta para pessoas amparadas por medidas protetivas.

Para o MPAC, se as denúncias forem comprovadas, poderá estar configurada uma grave violação dos direitos das mulheres, além de uma tentativa de enfraquecer a atuação dos órgãos de segurança pública em áreas sob influência do crime organizado.

A investigação segue em andamento e deverá apontar se houve interferência criminosa no uso do dispositivo, bem como indicar eventuais medidas para reforçar a proteção das vítimas e garantir o pleno funcionamento dos mecanismos de segurança no município.

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