Administração Trump restringe cientistas dos EUA em conversas globais sobre vírus

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Documentos e fontes obtidos pela CNN indicam que o governo do presidente Donald Trump teria limitado a participação de pesquisadores norte-americanos em discussões internacionais sobre resposta a surtos de vírus, incluindo reuniões com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a reportagem, oficiais do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID) foram proibidos de manter comunicação direta com a Organização Mundial da Saúde, sendo obrigados a seguir um canal centralizado por meio do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS).

O NIAID, responsável por pesquisas em doenças infecciosas e por avanços em tratamentos de emergências sanitárias como HIV/AIDS e Covid-19, teria passado a operar com participação limitada em reuniões da OMS — e apenas em formato de “escuta”, sem possibilidade de interação ativa.

De acordo com um e-mail interno citado pela reportagem, os pesquisadores poderiam participar de reuniões virtuais apenas em pequenos grupos e sem direito a resposta direta, enquanto eventuais encaminhamentos técnicos seriam feitos exclusivamente pela hierarquia do governo.

A medida ocorre em meio a surtos simultâneos de hantavírus e ebola em diferentes regiões do mundo, o que, segundo especialistas ouvidos pela CNN, reduz a capacidade de cooperação internacional em tempo real.

Fontes da área de saúde classificaram a restrição como incomum e prejudicial ao fluxo de informação em emergências sanitárias, destacando que a comunicação direta entre equipes técnicas é considerada essencial em respostas rápidas a epidemias.

A reportagem também aponta que o enfraquecimento da coordenação ocorre em meio a vacâncias em cargos-chave da saúde pública dos EUA, incluindo direção do CDC, FDA e outras posições estratégicas ainda não preenchidas.

Em resposta, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos afirmou que mantém cooperação com a OMS por meio do CDC e que está preparado para responder a surtos, incluindo ações de rastreamento de contatos, diagnósticos e desenvolvimento de contramedidas médicas.

O órgão também afirmou que a coordenação interna busca evitar duplicações e melhorar a resposta a emergências, apesar das críticas de especialistas sobre possível perda de eficiência na cooperação global.

A reportagem destaca ainda que, enquanto surtos de ebola avançam na África e casos de hantavírus seguem sob monitoramento internacional, autoridades dos EUA monitoram passageiros expostos e mantêm protocolos de vigilância em aeroportos.

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