OMS alerta para mais de 900 casos suspeitos de Ebola na República Democrática do Congo

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou neste domingo (25) que o surto de Ebola na República Democrática do Congo já ultrapassou 900 casos suspeitos. Segundo o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, 101 infecções foram confirmadas até o momento.

De acordo com o Ministério da Saúde congolês, ao menos 204 mortes foram registradas entre 867 casos suspeitos contabilizados anteriormente.

O foco principal da doença está na província de Ituri, no leste do país, região marcada por conflitos armados, deslocamentos populacionais e crise humanitária. A OMS elevou o risco de disseminação nacional do vírus para o nível “muito alto”. Para países vizinhos, o risco é considerado “alto”, enquanto o cenário global permanece em nível “baixo”.

Violência e desinformação dificultam combate

Segundo a OMS, a violência na região tem prejudicado diretamente as ações de controle da doença. Profissionais de saúde e trabalhadores humanitários estão deixando áreas afetadas devido aos confrontos.

“A violência está obrigando as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e trabalhadores humanitários, o que dificulta seriamente o rastreamento de contatos e a detecção precoce de novos casos”, afirmou Tedros.

A circulação de informações falsas também preocupa as autoridades sanitárias. Na última semana, manifestantes incendiaram tendas de tratamento após conflitos relacionados ao enterro seguro de uma vítima suspeita de Ebola.

Casos já foram registrados em Uganda

O avanço da doença além das fronteiras da RDC aumentou o alerta internacional. Em Uganda, país vizinho, cinco casos confirmados já foram registrados.

Além disso, um cidadão americano infectado no Congo está internado em Berlim, na Alemanha. Segundo o hospital Charité, o paciente não necessita de cuidados intensivos.

Variante rara preocupa especialistas

O atual surto foi declarado oficialmente em 15 de maio. No dia seguinte, a OMS classificou a situação como “emergência de saúde pública de importância internacional”.

Especialistas avaliam que o vírus pode ter circulado durante meses sem ser detectado.

A epidemia atual é causada pela variante Bundibugyo, considerada rara e mais difícil de combater porque ainda não possui vacina nem tratamento específico aprovado.

A taxa de mortalidade dessa variante varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.

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