O Acre aparece entre os estados com pior desempenho em saneamento básico no Brasil, segundo levantamento divulgado pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (21) e reforçam o alerta sobre a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura para que o país consiga cumprir as metas de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033.
De acordo com a plataforma de índices de infraestrutura lançada pelo Confea em março, o Acre obteve nota 11,28, ficando entre as últimas posições do ranking nacional. O estado aparece muito distante dos melhores colocados, como o Distrito Federal, que registrou nota 80,19, além de Paraná (76,29) e Santa Catarina (73,85).
Entre os estados com avaliações mais baixas também aparecem Pernambuco, Bahia e Pará.
Durante evento promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o assessor da presidência do Confea, Alexandre Borsato, destacou que os investimentos em saneamento precisam ser melhor distribuídos entre os estados para atender principalmente regiões menos atrativas economicamente.
Segundo ele, o Brasil precisaria investir cerca de R$ 230 por habitante ao ano para alcançar as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento. No entanto, em alguns estados o investimento atual não chega a R$ 10 por pessoa, comprometendo diretamente o avanço da cobertura de água tratada e esgotamento sanitário.
Outro problema apontado pelo levantamento é o desperdício de água durante a distribuição. Em alguns estados, as perdas ultrapassam 40%, índice considerado muito acima da meta nacional, que prevê redução para 25% até 2033.
O estudo também mostra que os desafios no saneamento não atingem apenas estados da Região Norte. Mesmo unidades federativas economicamente mais fortes, como o Rio Grande do Sul, ainda enfrentam dificuldades significativas na coleta e tratamento de esgoto, evidenciando os gargalos estruturais do setor em todo o país.






