Amazônia soma mais de 2,8 mil pistas clandestinas e quase um terço está em áreas protegidas

Um levantamento do Ministério da Defesa identificou 2.837 pistas de pouso irregulares na Amazônia sem registro na Agência Nacional de Aviação Civil. Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo jornal O Globo, revelam que 814 dessas estruturas estão dentro de Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

As pistas são apontadas por especialistas como peças-chave para atividades ilegais, principalmente o garimpo e o narcotráfico. Na divisão por estados da Amazônia Legal, Mato Grosso lidera com 967 registros, seguido pelo Pará, com 942, e Roraima, com 385.

Entre os municípios, Itaituba, no Pará, aparece como principal foco, com 218 pistas clandestinas. Na Terra Indígena Munduruku, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia identificou 22 aeródromos irregulares.

Pesquisadores explicam que o transporte aéreo é estratégico para o escoamento de ouro extraído ilegalmente e também facilita rotas do tráfico de drogas. A fiscalização, no entanto, esbarra em limitações estruturais, como a extensão territorial da Amazônia e a ausência de radares capazes de detectar voos em baixa altitude.

Diante do avanço dessas estruturas, o Ministério Público Federal ingressou, em setembro de 2025, com uma ação cobrando um plano integrado de combate às pistas clandestinas. O órgão aponta falhas na articulação entre instituições federais e estaduais.

Dados da Anac mostram que, entre 2022 e 2024, foram instaurados 94 processos sancionatórios relacionados ao tema, sendo 74 apenas em Roraima. Apesar das operações de inutilização, muitas vezes feitas com explosivos, as pistas acabam sendo reativadas posteriormente.

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