As comunidades indígenas que vivem às margens do Rio Gregório, em Tarauacá, enfrentam um desastre natural sem precedentes. Neste sábado (25), a Defesa Civil municipal confirmou que a elevação das águas atingiu as 18 aldeias situadas na Terra Indígena, afetando diretamente cerca de 140 famílias dos povos Yawanawá e Katukina.
O cenário é descrito pelas lideranças locais como “fora do eixo”. Tradicionalmente, o mês de abril marca o início do verão amazônico e das primeiras friagens na região, mas o que se vê em 2026 é uma enchente avassaladora que superou todos os registros anteriores, destruindo plantações e invadindo moradias.

Enchente histórica atinge aldeias Yawanawá no Rio Gregório, no Acre/ Foto: Cedida
O Alerta de Tashka Yawanawá

Imagens aéreas mostram a vasta área de floresta e aldeias submersas pela cheia de abril/ Foto: Cedida
Para o líder indígena Tashka Yawanawá, o fenômeno não é um evento isolado, mas uma prova cabal da crise ambiental global. Em relato enviado à imprensa, ele enfatizou que a inundação atípica é um reflexo direto das mudanças climáticas que estão alterando o ciclo das águas na Amazônia.
“As mudanças climáticas não são uma lenda, estão afetando nossas vidas. Essa alagação é totalmente fora de eixo. Ao contrário do que costuma acontecer, estamos vivendo a maior alagação histórica na terra indígena do Rio Gregório. O que está acontecendo aqui pode acontecer em qualquer lugar do Acre, do Brasil e do mundo”, alertou o líder.
Assistência e Levantamento de Danos
O coordenador da Defesa Civil de Tarauacá, Leandro Simões, informou que uma equipe técnica foi enviada às aldeias na manhã de hoje. A missão tem como objetivo realizar o levantamento detalhado dos prejuízos que incluem a perda de itens de subsistência e danos estruturais —e prestar assistência imediata às famílias desabrigadas ou isoladas pela cheia.

Equipe da Defesa Civil de Tarauacá inicia distribuição de suprimentos e avaliação de danos no Rio Gregório/ Foto: Cedida
A logística na região é complexa, dependendo exclusivamente do transporte fluvial, o que torna o socorro mais demorado. O monitoramento continua sendo realizado, já que as chuvas nos cabeceiras do Rio Gregório ainda preocupam as autoridades e os moradores da floresta.
Com informações Contilnet







