Em Cruzeiro do Sul, tratamento contra dependência química ajuda na ressocialização de monitorados pela Justiça

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No Vale do Juruá, iniciativas voltadas ao tratamento da dependência química têm se consolidado como ferramenta importante na redução da reincidência criminal e na promoção da ressocialização. Em Cruzeiro do Sul, a atuação da Central Integrada de Alternativas Penais (Ciap) tem possibilitado que pessoas em conflito com a lei recebam acompanhamento e acesso a comunidades terapêuticas.

Um dos casos acompanhados é o de um monitorado por tornozeleira eletrônica, identificado pelas iniciais F. D., que está há cerca de um mês em tratamento na comunidade terapêutica Reviver. Conforme relato registrado, ele reconhece que o envolvimento com drogas ocorreu como uma forma de escape, mas acabou agravando sua situação e o afastando do estilo de vida que desejava.

Desde a implantação da Ciap em Cruzeiro do Sul, em agosto de 2023, pelo menos 16 pessoas já foram encaminhadas para tratamento em comunidades terapêuticas na região do Juruá, por determinação judicial. A proposta é atuar diretamente na origem de muitos delitos: o uso abusivo de álcool e outras drogas.

O acompanhamento é realizado pelo Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), que trabalha com pessoas que cometeram infrações de menor potencial ofensivo, além de egressos do sistema prisional. O objetivo é promover não apenas a responsabilização pelos atos, mas também oferecer condições para mudança de comportamento e reintegração social.

De acordo com a coordenação da Ciap em Cruzeiro do Sul, o tratamento da dependência química é considerado essencial para interromper ciclos de violência e criminalidade. A estratégia consiste em identificar as causas que levaram o indivíduo ao delito e atuar diretamente sobre essas questões, com apoio psicológico, social e terapêutico.

Na comunidade Reviver, onde parte dos encaminhados cumpre o tratamento, a rotina é estruturada e inclui atividades que estimulam disciplina e senso de responsabilidade. Os internos participam de tarefas diárias, como preparo de alimentos, limpeza e cuidados com hortas, além de atividades educativas, práticas esportivas e momentos voltados à espiritualidade.

O responsável pela instituição, que atua há mais de uma década na área social, destaca que a ocupação do tempo e o envolvimento em atividades práticas são fundamentais para o processo de recuperação. A proposta é proporcionar dignidade, reconstrução de vínculos e desenvolvimento pessoal durante o período de acolhimento.

Ainda segundo relatos acompanhados pela equipe, muitos internos passam a compreender que o tratamento vai além do combate ao uso de drogas, abrangendo também questões emocionais, traumas e transtornos psicológicos.

No Vale do Juruá, a ampliação desse tipo de iniciativa reforça a importância de políticas públicas que integrem justiça e assistência social, oferecendo novas oportunidades para quem busca recomeçar e construir uma vida longe da criminalidade.

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