O que disseram os Gre-Nais no meio do vozerio sobre arbitragem

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O Grêmio viveu uma rápida inversão de expectativas para ser o campeão gaúcho de 2026. Um mês e meio após ser amplamente dominado pelo Inter no primeiro Gre-Nal do ano (4 a 2 no Beira-Rio), chegou à decisão sob desconfiança, mas fez duas partidas muito competentes nas finais: venceu na Arena por 3 a 0, empatou no Beira-Rio por 1 a 1 e garantiu o título com margem confortável no placar agregado.

A arbitragem foi personagem central nos clássicos decisivos. Neste domingo, a torcida do Inter aplaudiu o árbitro Rafael Klein repetidas vezes – uma ironia que eu jamais havia visto em estádios. Como pano de fundo, estava a revolta com as decisões, favoráveis ao Grêmio, nos lances mais duvidosos (e polêmicos, por consequência) das duas partidas: o cotovelo de Arthur em Borré no primeiro jogo (ignorado por Anderson Daronco e não revisado no monitor) e o pênalti sobre Alan Patrick no segundo (marcado em campo por Rafael Klein e desmarcado após intervenção do VAR).

Mas será necessário, para os dois times, entender os recados dados pelos Gre-Nais no meio do vozerio sobre a arbitragem. Por que, afinal, o Grêmio foi campeão? E por que o Inter, que vinha fazendo um Gauchão exemplar, perdeu a final?

O primeiro ponto é que Luís Castro conseguiu consolidar uma equipe na hora certa. O treinador usou as primeiras partidas do ano para fazer uma série de observações, ocorridas em concomitância com mudanças no elenco. Quando chegou a hora decisiva, ele tomou decisões importantes: Pavon titular na lateral direita, uma zaga rejuvenescida com Gustavo Martins e Viery, nomes como Marcos Rocha, Balbuena, Kannemann, Willian e Tetê preteridos do time titular.

Com isso, o português levou uma versão mais sólida do Grêmio às finais. No primeiro jogo, a expulsão (correta) de Bernabei foi decisiva, mas o time tricolor já era melhor antes dela. Com um a mais, teve consistência para ocupar bem os espaços, sufocar as saídas de bola do rival e aproveitar as chances que surgiram. No segundo, tirou proveito da vantagem de 3 a 0 e manteve o título sob relativo controle, truncando o jogo quando possível e se defendendo quando necessário. O Inter teve chances, era natural que tivesse – mas não conseguiu ameaçar a vantagem gremista.

Um outro ponto fundamental foram os sucessivos erros cometidos pelo Inter. O resultado dos clássicos teve influência direta de falhas cometidas pelos colorados. Todos os gols do Grêmio tiveram origem em erros do adversário (em alguns, erros forçados pelos tricolores): a falta mal cobrada por Bruno Gomes e os dois desarmes sofridos por Alan Patrick na ida; o escanteio cedido por Bruno Gomes na volta.

Paulo Pezzolano também errou. O treinador do Inter foi mal especialmente no primeiro jogo. Ele deveria ter mexido no time assim que Bernabei foi expulso. Ao esperar até o intervalo, condenou a equipe a sofrer dois gols.

Na segunda partida, a aposta em Allex como lateral esquerdo não funcionou na prática, embora tenha sido uma ideia bastante defensável (concordei com a escolha). Também acho que ele poderia, dada a excepcionalidade da situação, ter começado a partida no Beira-Rio com um primeiro volante de mais saída de bola – Villagra ou Thiago Maia – em vez de manter Ronaldo (extremamente combativo, mas menos refinado em momentos de posse).

Agora, passados os clássicos, os dois times precisarão de sabedoria. O Grêmio para não se deixar levar pela falsa ilusão de que seus problemas recentes estão resolvidos; e o Inter para entender que sua realidade é dura – e que é preciso confiar no trabalho de Pezzolano para ter um Brasileirão menos assustador do que o do ano passado.

O Gauchão é um título importante, especialmente quando é decidido em Gre-Nal, esse emblema da identidade rio-grandense. Mas ele não pode ser superestimado: nem por quem ganha, nem por quem perde.

Por Globo Esporte

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