Com início do defeso, peixe de açude ganha espaço e abastece consumidores no Juruá

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Com o início do seguro-defeso, período em que a captura de várias espécies de rio é proibida para garantir a reprodução, o consumidor que frequenta o mercado de peixes em Cruzeiro do Sul está encontrando menos variedade vinda das águas naturais — e mais opções produzidas em viveiros. O movimento já é percebido por vendedores e compradores, que se adaptam ao momento em que o peixe de açude ganha espaço e o preço se mantém estável, embora mais elevado que o peixe de rio.

José Clauberson, que trabalha há dez anos no mercado, explicou que a oferta atual reflete diretamente o avanço do segundo período do defeso. Segundo ele, a chegada de peixes do rio está lenta, e a captura é limitada pela legislação. “A variedade está muito pouca porque o segundo defeso desceu agora. Não podemos pegar qualquer peixe para vender”, relatou. Com isso, espécies como jundiá e piau de açude, além da matrinchã, são as que mais aparecem nas bancas.O vendedor reforça que, apesar de mais acessíveis no momento, os peixes de açude têm preço naturalmente mais alto. “Todo mundo sabe que peixe de açude é caro. O preço normal está entre R$ 27 e R$ 28 o quilo, depende muito do produtor de quem compramos”, afirmou. Ele explica que o valor final também varia pelo tamanho e pela qualidade: “O peixe grande é mais caro, o menor é mais barato”. Mesmo assim, garante que sempre há margem para negociar: “Chegando aqui, a gente faz um desconto bacana”.

O atendimento, segundo Clauberson, vai além da venda. Muitos clientes optam por levar o produto já limpo ou filetado. “Tratamos do jeito que o cliente quiser”, acrescentou.

Entre os consumidores, as preferências são diversas — mas o gosto pelo peixe de rio ainda se destaca. José Lima Silva, comprador assíduo, disse que costuma levar para casa espécies como cascuda e mocinha. Ele afirma que, embora consuma peixe de açude, o sabor do peixe de rio é incomparável. “Eu como do açude, mas sou mais do rio”, comentou.

Para ele, o preço está dentro do esperado, variando conforme o tipo e a qualidade. Sobre o preparo, admite que tanto o frito quanto o cozido agradam, mas revela uma leve preferência: “Cozido é melhor. Sendo gordo, é bom”.

Com a chegada do fim de ano, Silva explica que prefere comprar apenas o necessário, sem estocar grandes quantidades. “É melhor comprar fresco. Se fizer muito, não adianta, perde o gosto”, disse.

Enquanto o defeso segue ativo, os vendedores apostam na oferta de açude e no atendimento personalizado para manter o movimento, enquanto os consumidores se adaptam à menor variedade — mas sem abrir mão da tradição de levar um bom peixe para a mesa.

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