Bebê declarado morto volta a apresentar sinais vitais, mas morre dois dias depois em Rio Branco

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O bebê José Pedro, que havia sido dado como morto pela equipe da Maternidade Bárbara Heliodora e surpreendeu ao apresentar sinais vitais minutos antes do enterro, morreu na noite de domingo (26), em Rio Branco. De acordo com nota divulgada nesta segunda-feira (27) pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), o óbito ocorreu às 23h15, em decorrência de choque séptico e sepse neonatal.

A nota, assinada pela diretora-geral da maternidade, Simone da Silva Prado, e pelo secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal Duarte Pinheiro Zambon, informa que todos os esforços foram feitos para garantir o melhor cuidado durante a internação. A Sesacre destacou ainda que, devido à extrema prematuridade do bebê, não foi possível cogitar transferência para outra unidade, por conta do alto risco de agravamento do quadro clínico.

O caso ocorreu na sexta-feira (24) e causou grande comoção entre os acreanos. Após o parto, o recém-nascido foi declarado morto e encaminhado ao necrotério da maternidade. Na manhã de sábado (25), uma funerária buscou o corpo e o levou ao cemitério para o sepultamento. Pouco antes do enterro, uma familiar pediu para abrir o caixão e percebeu que o bebê estava vivo e chorando. Ele foi imediatamente levado de volta à maternidade, onde foi internado em estado gravíssimo na UTI neonatal.

Diante da gravidade do caso, o governador Gladson Cameli determinou o afastamento imediato da equipe médica responsável pela constatação do óbito e ordenou a abertura de uma investigação detalhada. A Secretaria de Saúde confirmou que o procedimento está sendo conduzido com rigor e que o afastamento visa garantir a transparência do processo.

A Polícia Civil do Acre, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), acompanha o caso. O pai do bebê, Marcos dos Santos Fernandes, registrou boletim de ocorrência. O atestado de óbito foi assinado por uma médica formada em 2022, com registro profissional ativo desde fevereiro deste ano.

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), através da 1ª Promotoria Especializada de Defesa da Saúde, instaurou procedimento investigatório para apurar as circunstâncias do ocorrido e requisitou informações detalhadas à Sesacre e à direção da maternidade. O órgão informou que tomará todas as medidas cabíveis para identificar possíveis responsabilidades.

O Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) também abriu sindicância para apurar o episódio. Em nota, o conselho afirmou que o processo seguirá os trâmites legais e éticos que regem o exercício da medicina, em sigilo, conforme previsto no Código de Processo Ético-Profissional do Conselho Federal de Medicina.

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