O Rio Juruá, um dos mais importantes do Acre e fonte de sobrevivência para milhares de famílias no interior, enfrenta uma das piores secas da história. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) reconheceu oficialmente, por meio da Resolução nº 264/2025, publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (25), a grave escassez hídrica que atinge não apenas o Juruá, mas também os rios Purus, Acre, Iaco e seus afluentes. A medida tem validade até 31 de outubro.

O documento foi aprovado na 940ª reunião da Diretoria Colegiada da ANA e reforça as ações já determinadas pelo Decreto Estadual nº 11.733, assinado pelo governador Gladson Cameli em 6 de agosto, que decretou situação de emergência em todo o Acre em razão da estiagem prolongada e do aumento das temperaturas.
No Juruá, os reflexos são visíveis: comunidades ribeirinhas isoladas sofrem com a dificuldade de navegação, a pesca se torna cada vez mais escassa e o abastecimento de água fica comprometido. Para tentar reduzir os impactos, a Defesa Civil estadual atua com planos de contingência, brigadas comunitárias e apoio logístico às cidades mais afetadas.
Com o reconhecimento oficial da crise, a ANA poderá estabelecer regras excepcionais para o uso da água e orientar os diversos setores sobre medidas de contingência. O órgão também fará o monitoramento constante da bacia do Juruá e das demais, avaliando os efeitos sobre atividades essenciais como abastecimento humano, produção agrícola e geração de energia.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Carlos Batista, destacou que mais de 26 instituições compõem o Gabinete de Crise que se reúne regularmente para planejar estratégias. Segundo ele, as ações estão voltadas principalmente para saúde pública, abastecimento de água e combate a incêndios florestais.

O governador Gladson Cameli ressaltou que a prioridade é proteger vidas e minimizar os danos à economia e ao meio ambiente. “Estamos mobilizando nossas equipes técnicas e ampliando o apoio às comunidades mais afetadas. No Juruá, onde a estiagem traz consequências diretas à população ribeirinha, nosso esforço é garantir abastecimento e preservar o rio”, afirmou.
A estiagem deste ano é considerada uma das mais severas dos últimos tempos e reforça a vulnerabilidade do Acre diante das mudanças climáticas. O Rio Juruá, vital para a economia e o modo de vida da região, segue em monitoramento constante por equipes estaduais e federais.
Fotos: Tácita Muniz/Secom






