Redação Juruá Online
A médica Fernanda Bardi, natural de Cruzeiro do Sul, no Acre, realizou um feito notável: completou uma caminhada de 15 dias até o Everest Base Camp, a 5364 metros de altitude. A jornada, que envolveu cerca de 150 km em paisagens deslumbrantes e temperaturas negativas, representou um desafio físico e emocional superado com sucesso pela médica e mais 17 brasileiros.
A preparação para a aventura exigiu meses de treino rigoroso, incluindo um acompanhamento personalizado para aclimatação à altitude. “Quando decidi fazer essa viagem, precisei de meses de preparação”, conta Fernanda. “O guia contratado me deu um treino personalizado, ia à academia e fazia os exercícios indicados. A preparação incluiu academia e exercícios específicos, também a viagem em si, pois o Nepal é um país distante.” O voo até Catmandu, capital nepalesa, envolveu uma escala em Dammam, na Arábia Saudita, somando cerca de 20 horas de viagem.


A inspiração para a jornada surgiu nas redes sociais, onde Fernanda se deparou com relatos da experiência. Motivada pelo desejo de autodesafio e de vivenciar algo único, decidiu-se a encarar o desafio. “Procuro fazer viagens que me acrescentem”, explica. “Gosto de sair da zona de conforto, acredito que é assim que a gente cresce.” Apesar de saber que não teria tempo nem preparação para escalar o Everest (que exige meses de treinamento e planejamento e uma janela climática reduzida), a conquista do Base Camp já era um objetivo ambicioso.
Os 15 dias de caminhada apresentaram desafios consideráveis. “Foram 10 dias para subir e 5 para descer. Demora tanto para subir por causa da altitude, para evitar o mal da montanha. A gente sobe muito devagar. A falta de oxigênio dificultava a respiração, e o frio intenso, algo inédito para mim, foi um grande desafio. Já cheguei a sentir -15 graus! Acordar no frio, com a água congelada, o protetor solar congelado… Mas depois que a gente começava a andar, via as montanhas majestosas, os vales… tudo valia a pena.”
A aventura começou com um voo para Lukla, considerado um dos aeroportos mais perigosos do mundo, devido à sua curta pista localizada em meio às montanhas do Himalaia. “Meus pais estavam rezando!”, brinca Fernanda sobre o voo em um pequeno avião, que utiliza o declive da pista para ganhar impulso durante a decolagem.

Durante a caminhada, Fernanda e o grupo passaram por vilarejos locais, cruzaram pontes suspensas, e finalmente chegaram ao Everest Base Camp. “Foi uma sensação de realização incrível! A gente começa o trekking sem saber se vai conseguir chegar até o final, devido à altitude e outros problemas que podem surgir. Mas consegui! O caminho em si foi melhor do que a chegada. Vi paisagens incríveis, conheci pessoas com histórias fascinantes.”
Fernanda descreve as condições de alimentação, alojamento e higiene durante a expedição: “A culinária era rica em carboidratos, muita batata e macarrão. A gente sentia falta de proteína, mas o esforço físico justificava a opção. O banho era pago, e o preço aumentava com a altitude. O banho mais caro que tomei custou R$80, mas era água quente!”
Já com a próxima aventura planejada para 2025 – o Tour du Mont Blanc, na Europa – Fernanda demonstra a sua paixão por desafios e a sua determinação em superar limites. A médica de Cruzeiro do Sul inspira não só pela sua coragem, mas também pelo seu exemplo de superação e busca pela auto realização.







